Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
|
|
Este artigo ou seção possui trechos que não respeitam o princípio da imparcialidade. (desde dezembro de 2012)
Justifique o uso dessa marca na página de discussão e tente torná-la mais imparcial. |
|
Golpe Militar de 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em
31 de março de
1964 no
Brasil, que culminaram, no dia
1 de abril de 1964, com um
golpe de estado que encerrou o governo do presidente
João Goulart, também conhecido como Jango.
Os
militares brasileiros a favor do Golpe costumam designá-lo como Revolução de 1964 ou Contrarrevolução de 1964.
[1] Em geral, a expressão é associada a defensores da ditadura.
[2]
Jango havia sido
democraticamente eleito
vice-presidente pelo
Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – na mesma eleição que conduziu
Jânio da Silva Quadros do
Partido Trabalhista Nacional (PTN) à presidência, apoiado pela
União Democrática Nacional (UDN).
O golpe estabeleceu um regime alinhado politicamente aos
Estados Unidos[3][4]
e acarretou profundas modificações na organização política do país, bem
como na vida econômica e social. Todos os cinco presidentes militares
que se sucederam desde então declararam-se herdeiros e continuadores da
Revolução de 1964.
[5]
O regime militar durou até 1985, quando
Tancredo Neves foi eleito,
indiretamente, o primeiro presidente civil desde 1964.
Antecedentes
Jânio renunciou ao mandato no mesmo ano de sua posse (1961), e quem
deveria substituí-lo automaticamente e assumir a Presidência era João
Goulart, segundo a
Constituição vigente à época, promulgada em 1946. Porém este se encontrava em uma viagem diplomática na
República Popular da China. Militares então acusaram Jango de ser comunista e o impediram de assumir seu lugar como mandatário no regime
presidencialista.
[6]
Depois de muita negociação, lideradas principalmente pelo cunhado de Jango,
Leonel de Moura Brizola,
na época governador do Rio Grande do Sul, os apoiadores de Jango e a
oposição acabaram fazendo um acordo político pelo qual se criaria o
regime
parlamentarista, passando então João Goulart a ser chefe-de-Estado.
Em 1963, porém, houve um
plebiscito,
e o povo optou pela volta do regime presidencialista. João Goulart,
finalmente, assumiu a presidência da República com amplos poderes, e
durante seu governo tornaram-se aparentes vários problemas estruturais
na politica brasileira, acumulados nas décadas que precederam o golpe e
disputas de natureza internacional, no âmbito da
Guerra Fria, que desestabilizaram o seu governo.
Em 1964, houve um movimento de reação, por parte de setores
conservadores da sociedade brasileira – notadamente as
Forças Armadas, o alto clero da
Igreja Católica e organizações da
sociedade civil, apoiados fortemente pela potência dominante da época, os Estados Unidos
[6] – ao temor de que o Brasil viria a se transformar em uma ditadura socialista similar à praticada em
Cuba,
[carece de fontes] após a falha do
Plano Trienal
do governo de João Goulart de estabilizar a economia, seguido da
acentuação do discurso de medidas vistas como comunistas na época, as
quais incluíam a
reforma agrária
e a reforma urbana. Na época, falar em pobreza, distribuição de renda e
saúde significava ser tachado de comunista, mesmo quando não fosse o
caso.
[7]
No dia 13 de março daquele ano, data da realização de comício em frente à
Estação Central do Brasil,
no Rio de Janeiro, perante trezentas mil pessoas, Jango decreta a
nacionalização das refinarias privadas de petróleo e desapropriação,
segundo ele para a reforma agrária, de propriedades às margens de
ferrovias, rodovias e zonas de irrigação de açudes públicos.
Desencadeou-se uma crise no país, com a economia já desordenada e o
panorama político confuso. A oposição militar veio à tona para impedir
que tais reformas se consolidassem, impondo o que consideravam
manutenção da
legalidade e da restauração da ordem.
Por isso, e pela falta de mobilização das camadas populares da sociedade,
[8] a extensa maioria dos críticos do movimento de 1964 qualifica-o como um golpe de estado.
[9]
Mesmo para uma parte dos militares, a começar pelo ex-presidente
Geisel, também é claro que não houve uma revolução, mas um movimento
"contra" alguma coisa (corrupção, subversão da ordem, etc.).
[10] Para outras lideranças militares, a definição mais adequada para o movimento de 1964 seria a de uma
contrarrevolução.
[1]
Características gerais do novo regime e objetivos
O golpe de Estado de 1 de abril teve como desdobramento a instauração do
regime militar.
Nos anos que se seguiram haverá uma significativa recuperação da
economia e taxas de crescimento que chegam a 10% ao ano, constituindo o
que se chamou
milagre econômico brasileiro,
com entrada significativa de capitais externos, atraídos também pela
estabilidade política. O aumento da dívida externa seria um problema a
ser enfrentado posteriormente.
[6] Paralelamente ao crescimento do PIB, caiu a renda real média do trabalhador brasileiro
[carece de fontes]e com a crise da dívida pública, houve hiper-inflação,
[carece de fontes] que aumentou a desigualdade social no Brasil.
[carece de fontes]
Tal desenvolvimento econômico foi acompanhado de censura aos meios de comunicação e de violenta
repressão política,
[6] especialmente no final da década de 1960 e ao longo dos anos 1970, sob a égide da
Lei de Segurança Nacional,
justificada pela necessidade de manter a estabilidade política e a
segurança interna, no sentido de evitar a influência de ideologias de
esquerda,
[carece de fontes] em um mundo dividido pela Guerra Fria.
Além da limitação da liberdade de opinião e expressão, de imprensa e
organização, naquela época tornaram-se comuns as prisões, os
interrogatórios e a tortura daqueles considerados suspeitos de oposição
ao regime, comunistas ou simpatizantes, sobretudo estudantes,
jornalistas e professores.
[carece de fontes]
Para além das prisões, estima-se que cerca de 300 dissidentes perderam a
vida. Segundo a versão defendida pelos militares, a maioria dessas
mortes teria ocorrido em combate com as Forças Armadas. Entretanto, os
grupos de defesa dos direitos humanos e organizações de sobreviventes da
ditadura militar, estimam que este número seja muito maior.
[carece de fontes]
Este fato inicial foi denominado pelos militares que o executaram,
bem como o regime que se sucedeu, como "Revolução de 1964". Mas a noção
de que se trataria de uma revolução perdeu parte de sua aceitação pela
sociedade brasileira desde meados dos anos 1970, com a
abertura democrática então iniciada.
[carece de fontes]
Vendo os movimentos de esquerda crescendo e pela influência da
propaganda dos movimentos comunistas, foi iniciado um movimento de
contra-propaganda conhecido como
perigo vermelho[11], ou
perigo comunista[12].
Segundo relatos publicados pelo Departamento de Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas
[13]:
- (sic)…Os militares envolvidos no golpe de 1964 justificaram sua
ação afirmando que o objetivo era restaurar a disciplina e a hierarquia
nas Forças Armadas e deter a "ameaça comunista" que, segundo eles,
pairava sobre o Brasil.
- Uma ideia fundamental para os golpistas era que a principal
ameaça à ordem capitalista e à segurança do país não viria de fora,
através de uma guerra tradicional contra exércitos estrangeiros; ela
viria de dentro do próprio país, através de brasileiros que atuariam
como "inimigos internos" – para usar uma expressão da época.
- Esses "inimigos internos" procurariam implantar o comunismo no
país pela via revolucionária, através da "subversão" da ordem existente –
daí serem chamados pelos militares de "subversivos".
Segundo a FGV, havia alguns fatores históricos que posicionavam as
Forças Armadas do Brasil contra o comunismo, acentuando a polarização
ideológica no Brasil
[14]:
- A percepção de um "perigo comunista" no Brasil passou por um
processo de crescente "concretização", até atingir seu clímax com a Revolta de 1935. Assim, após a Revolução Russa de 1917,
tiveram lugar no país a criação do Partido Comunista do Brasil (depois
Partido Comunista Brasileiro – PCB) em 1922; a conversão do líder tenentista Luís Carlos Prestes ao comunismo, em maio de 1930, e sua ida para a União Soviética, no ano seguinte; e o surgimento, em março de 1935, da Aliança Nacional Libertadora,
dominada pelos comunistas. Se em 1917 o comunismo no Brasil era visto
ainda como um perigo remoto, "alienígena" e "exótico", aos poucos ele
foi se tornando mais próximo.
- A frustrada revolta comunista de novembro de 1935 foi um evento-chave que desencadeou um processo de institucionalização da ideologia anticomunista no interior das Forças Armadas.
Os comunistas brasileiros foram acusados de serem elementos "a serviço
de Moscou" e, portanto, traidores da Pátria. Os militares que tomaram
parte na revolta foram, em particular, acusados de uma dupla traição:
não só do país como da própria instituição militar, ferida em seus dois
pilares — a hierarquia e a disciplina. Foram também rotulados de
covardes, devido principalmente à acusação, até hoje controversa, de que
no levante do Rio teriam assassinado colegas de farda ainda dormindo.
- O ritual de rememoração dos mortos leais ao governo, repetido a
cada ano, tornava seu sacrifício presente, renovava os votos dos
militares contra o comunismo e socializava as novas gerações nesse mesmo
espírito. Foi no quadro dessa cultura institucional, marcadamente
anticomunista, que se viveu a ditadura do Estado Novo e que se formaram
os militares que, em 1964, assumiram o poder.
Situação internacional
A
Guerra Fria estava espalhando o temor pelo rápido avanço do chamado, pela extrema
direita, "perigo vermelho".
[10]
As esquerdas espelhavam-se nos regimes socialistas implantados em Cuba,
China e União Soviética. O temor ao comunismo influenciou a eclosão de uma série de golpes militares na
América Latina, seguidos por ditaduras militares de orientação ideológica à direita,
[4] com o suposto aval de sucessivos governos dos
Estados Unidos, que consideravam a América Latina como sua área de influência.
[4]
Fidel Castro vislumbrou expandir sua revolução no Brasil, inicialmente, usando as
Ligas Camponesas de
Francisco Julião.
Posteriormente, propiciou treinamento militar em Cuba para brasileiros
selecionados pelas organizações guerrilheiras, capazes de desencadear
ações de guerrilha urbana e rural.
[15]
Cuba e China passaram a financiar grupos de esquerda na América Latina,
iniciando um movimento para implantar o comunismo na região, o que de
certa forma influenciou na eclosão de uma série de golpes militares
apoiados e financiados pelos Estados Unidos, que temiam o avanço
comunista no continente. Os EUA não admitiam que os movimentos
igualitários e de desenvolvimento regionais fossem contaminados pela
doutrina comunista de caráter
stalinista ou
maoísta.
Com a polarização das ideologias houve a eclosão de inúmeros golpes de estado financiados pelos governos americano,
[16] soviético e chinês.
Guerra Fria
A origem da
Guerra Fria remonta da rivalidade entre os Estados Unidos e a União Soviética, ocorrida em meados da
Segunda Guerra Mundial.
Embora muitos afirmem existirem
raízes
mais profundas provindas do início do século XX, a partir do fim da
década de 1940 as desavenças entre os dois blocos acirraram-se, pois
ambos afirmavam que os seus sistemas eram os vencedores da guerra que
varreu o planeta na época.
É sabido que devido aos esforços de guerra, acabaram por surgir as duas
superpotências
militares, que seguiam ideologias antagônicas, acirrando ainda mais as
desavenças em todos os campos do conhecimento, da tecnologia e da
cultura.
Os
comunistas, através de um sistema "socialista autoritário", detinham o poder de seu bloco através de sistemas
ditatoriais, enquanto os
capitalistas
mantinham o poder através do controle econômico, cuja estrutura também
financiava ditaduras de direita, que também eram sistemas autoritários.
[carece de fontes]
Na América Latina, não eram raros os governos dirigidos por "
caudilhos", que poderiam pender para o bloco que bem lhes conviesse. Neste panorama, todos se diziam "democratas".
[carece de fontes]
Desta forma, o mundo estava em plena Guerra Fria, a maioria dos países ocidentais se diziam "
democráticos" e afirmavam manter a "livre expressão".
Dizem alguns
[quem?] que existiam algumas exceções às
liberdades democráticas
como as ditaduras na América Latina. É sabido, porém, que os Estados
Unidos aceitavam, financiavam e apoiavam ditaduras da direita em países
nos quais acreditavam haver risco de migração para o
bloco comunista, como no caso da
Argentina,
Bolívia, Brasil,
Chile,
Haiti,
Peru,
Paraguai,
Uruguai etc.
[4]
Situação nacional
No Brasil, o golpe de 1964 e a consequente tomada do poder pelos
militares contou com o apoio do grande empresariado brasileiro, temeroso
que as medidas reformistas do presidente João Goulart desencadeassem um
golpe comunista, particularmente devido às nacionalizações.
A população, no início confusa e receosa, depois desinformada pela repressão à imprensa
[carece de fontes], acabou se acomodando à medida que a economia, aparentemente, melhorava.
A economia pré-1964
Os estudiosos da economia brasileira costumam dividir a economia
pós-Segunda Guerra Mundial em dois períodos: o primeiro de 1947 a 1963; e
o segundo de 1964 até os dias atuais.
[17]
Até 1964 a política econômica consistiu na substituição das
importações, para estimular a economia doméstica, continuada mesmo com o
revezamento de presidentes.
[17] Os "
Anos JK", por exemplo,
deram ampla atenção aos problemas urbanos, como o setor industrial, em detrimento ao rural.
[17] Segundo Roger W. Fox, do período de 1961 a 1963, houve problemas como escassez de alimentos, aumentando seus preços, gerando
hiperinflação e trazendo a atenção do governo brasileiro ao setor agrícola.
[17]
Esse conjunto de fatores influenciou de forma considerável a implantação do posterior regime militar.
[17]
A política pré-1964
Em 25 de agosto de 1961, o presidente
Jânio Quadros
pediu renúncia do cargo. O vice-presidente, João Goulart, encontrava-se
em viagem à China comunista. Assumiu a presidência o deputado
Ranieri Mazzilli,
presidente da Câmara dos Deputados. Os militares só aceitaram a posse
de João Goulart depois de implantado o parlamentarismo no Brasil. João
Goulart assumiu o poder em 7 de setembro de 1961. Em plebiscito
realizado em janeiro de 1963, o regime voltou a ser presidencialista,
aumentando o poder do presidente João Goulart.
Há confrontos abertos entre esquerda e direita no Brasil. No
nordeste do Brasil, Francisco Julião organizou lutas camponesas, as Ligas Camponesas. O governador de Pernambuco,
Miguel Arraes, tido como comunista,
[carece de fontes]
apoiou manifestações de estudantes. João Goulart apoiou a
sindicalização de sargentos e foi acusado pelos militares de promover a
quebra da
hierarquia e da disciplina nas forças armadas.
[carece de fontes]
De 28 a 30 de março de 1963, realizou-se em Niterói, na sede do
Sindicato dos Operários Navais, um Congresso Continental de
Solidariedade a Cuba, com a participação de delegações
latino-americanas. Luiz Carlos Prestes manifestou o desejo de que o
Brasil fosse a primeira nação da
América do Sul a seguir o exemplo de Cuba, tornando-se uma nação comunista.
[carece de fontes]
Em outubro de 1963, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel
Brizola organizou o "Grupo dos Onze Companheiros" para tomar o poder
pela luta armada. Segundo Brizola, o G-11 seria a "vanguarda avançada do
Movimento Revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução
Socialista de 1917 na União Soviética".
[carece de fontes]
No dia 13 de março de 1964, João Goulart assinou, em praça pública,
no Rio de Janeiro, decretos de encampação das refinarias de petróleo
privadas e autorizou a expropriação de terras, vinte quilômetros à beira
de rodovias, ferrovias, rios navegáveis e açudes.
Esses decretos de 13 de março e outro comício, no dia 30 de março, no
Rio de Janeiro, no Automóvel Clube, foram decisivos para a derrubada de
João Goulart:
|
Declara de interêsse social para fins de desapropriação as áreas
rurais que ladeiam os eixos rodoviários federais, os leitos das
ferrovias nacionais, e as terras beneficiadas ou recuperadas por
investimentos exclusivos da União em obras de irrigação, drenagem e
açudagem, atualmente inexploradas ou exploradas contrariamente à função
social da propriedade, e dá outras providências.
— DECRETO Nº 53.700, DE 13 de março de 1964[18]
|
|
Declara de utilidade pública, para fins de desapropriação em
favor da Petróleo Brasileiro S A - PETROBRÁS, em caráter de urgência, as
ações da companhias permissionárias do refino de petróleo.
— DECRETO Nº 53.701, DE 13 de MARÇO de 1964 (Decreto da SUPRA)[19]
|
|
Tabela os aluguéis de imóveis no território nacional, e dá outras providências.
— DECRETO Nº 53.702, DE 14 de MARÇO de 1964[20]
|
O jornal
Folha de S. Paulo,
no dia 27 de março, escreveu: "Até quando as forças responsáveis deste
país, as que encarnam os ideais e os princípios da democracia,
assistirão passivamente ao sistemático, obstinado e agora já claramente
declarado empenho capitaneado pelo presidente de República de destruir
as instituições democráticas?"
O
Jornal do Brasil, em 31 de março,
[21]
comentou as atitudes de João Goulart: "Pois não pode mais ter amparo
legal quem, no exercício da Presidência da República, violando o Código
Penal Militar, comparece a uma reunião de sargentos para pronunciar
discurso altamente demagógico e de incitamento à divisão das Forças
Armadas."
Logo após o discurso do Automóvel Clube, o general
Olímpio Mourão Filho, comandante do I Exército, sediado em
Juiz de Fora, próximo ao Rio de Janeiro, partiu com suas tropas, sem autorização de outros militares, e iniciou o movimento armado.
Bipolarização
Durante a eclosão do golpe de 1964 havia duas correntes ideológicas
no Brasil, sendo uma de esquerda e outra de direita. Aquelas correntes
tinham movimentos populares de ambas facções, acredita-se financiados
com capital externo. Além da polarização, existia também um forte
sentimento
antigetulista, motivador do movimento militar que derrubou Jango.
[carece de fontes]
Fatores políticos
Ajuda de Cuba à luta armada
De acordo com Elio Gaspari: "Em 1961, manobrando pelo flanco esquerdo do
PCB, Fidel hospedara em
Havana o deputado Francisco Julião. Antes desse encontro, com olhar e cabeleira de profeta desarmado, Julião propunha uma
reforma agrária convencional. Na volta de Cuba, defendia uma alternativa
socialista, carregava o slogan
Reforma agrária na lei ou na marra e acreditava na
guerrilha
como caminho para se chegar a ela. Julião e Prestes estiveram
simultaneamente em Havana em 1963. Foram recebidos em separado por
Castro. Um já remetera doze militantes para um breve curso de
capacitação militar e estava pronto para fazer a revolução. Durante uma
viagem a Moscou, teria pedido mil submetralhadoras aos russos. O outro
acabara de voltar da União Soviética."
[22]
No período de 1960 a 1970, 219 guerrilheiros, além de outros não
identificados, fizeram treinamento militar em Cuba, alguns ainda no
governo Jânio Quadros, poucos no governo Jango e a maioria após 1964.
[23][24]
No dia 4 de dezembro de 1962 o jornal O Estado de S. Paulo noticiou a
descoberta e desbaratamento de um campo de treinamento de guerrilha em
Dianópolis, Goiás (hoje Tocantins), em uma das três fazendas comparadas pelo Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) de Julião.
[25] Foi decretada a prisão de membros das Ligas Camponesas.
[26]
No local, foram apreendidos retratos e textos de Fidel Castro,
bandeiras cubanas, manuais de instrução de combate, planos de sabotagem e
armas, além da contabilidade da ajuda financeira enviada por Cuba e dos
planos das Ligas Camponesas em outros estados do País. O responsável
por esse centro de treinamento guerrilheiro era Carlos Montarroyo. Vinte
e quatro militantes foram presos. Também foram decretadas as prisões de
Clodomir dos Santos Morais, Tarzan de Castro e Amaro Luiz de Carvalho.
[27]
Segundo Denise Rollenberg: "[…] Os documentos do
DOPS,
o temido Departamento da Ordem Política e Social, encontrados por
Denise Rollemberg no Arquivo Público do Rio de Janeiro, atestam que
desde 1962 o órgão acompanhava atentamente as estreitas relações de Cuba
com as Ligas. A papelada registra também cursos preparatórios de
guerrilha em vários pontos do País. O apoio cubano concretizou-se no
fornecimento de armas e dinheiro, além da compra de fazendas em Goías,
Acre, Bahia e Pernambuco para funcionar como campos de treinamento."
[28][29]
Fator desestabilizador
O golpe não foi algo repentino, ele foi amadurecendo aos poucos. O
motivo alegado era o comunismo. O contexto, porém, era bem mais
complexo: a
estatização
promovida por Jango e as visões conflitantes entre a política e a
economia de ambas as correntes de pensamento, particularmente da extrema
direita e extrema esquerda, vinham se contrapondo desde o início do
século XX, sendo as alternativas mistas ainda em estágio embrionário.
[carece de fontes]
O golpe militar de 1964 começou a ocorrer dez anos antes, em 1954. Um
movimento político-militar conservador descontente com Getúlio Vargas,
com sua condição de ex-
ditador
e com denúncias de corrupção, aliado aos Estados Unidos, tentou
derrubar o então presidente Getúlio Vargas, que abafou o golpe
terminando com sua própria vida num
suicídio. A repercussão da
carta-testamento de Getúlio Vargas conteve quaisquer movimentações e desestabilizou profundamente a estrutura política do Brasil.
[30]
Passados o impacto e a comoção social que se seguiram ao suicídio, em
1955, opositores de Vargas tentaram impedir as eleições, sabendo da
provável derrota do grupo.
[30]
Houve assim uma tentativa de golpe, impedida pela ação firme e corajosa do marechal
Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, que garantiu a eleição e a posterior posse de
Juscelino Kubitschek.
[30]
Jânio e a tentativa de um autogolpe
Em 1961, quando Jânio Quadros renunciou, assumiu a presidência o
então vice-presidente João Goulart, e houve suposições de um autogolpe
fracassado.
Goulart era visto como sucessor político de Getúlio Vargas e era, também, cunhado do governador do
Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, que defendia a realização de
reformas de base no Brasil, incluindo a
reforma agrária e a
reforma urbana.
As reformas de base desagradavam os setores conservadores, a classe
média, e dirigentes de multinacionais, que vendo seus negócios em risco
no Brasil financiaram em 1961 a criação do
IPES.
[30] E através de seu poderio político financeiro e de
lobby no Congresso Nacional acabaram por se movimentar no sentido de impedir a posse de Jango.
[4]
Por influência de grupos mais moderados, houve um acordo político
estabelecendo o regime parlamentarista, o que significaria que Goulart
seria
chefe de estado, mas não
chefe de governo — desta forma permaneceria no governo, mas teria poderes reduzidos.
Jango chegou ao poder através de uma eleição que levou Jânio Quadros à presidência pela
UDN e o próprio João Goulart à vice-presidência pelo
PTB.
Ou seja presidente e vice-presidente eram inimigos políticos. Esta
situação foi possível devido a uma legislação eleitoral que permitia que
se votasse no presidente de uma chapa e no vice-presidente de outra.
Devido às forças políticas atuantes no país, em 1962, foi convocado
um plebiscito para escolher qual a forma de governo o Brasil adotaria:
ou retornava ao presidencialismo ou permanecia no parlamentarismo. O
povo optou maciçamente pelo presidencialismo, com 9,5 milhões de votos
contra dois milhões dados ao parlamentarismo.
[carece de fontes]
Goulart começou a governar tentando conciliar os interesses do seu
governo com os interesses políticos dos mais conservadores e também dos
políticos progressistas no Congresso Nacional.
[carece de fontes]
Devido a boicotes de ambas as correntes, houve uma grande demora em implantar as reformas de base.
[31]
Os setores mais à esquerda, inclusive dentro do próprio PTB,
afastaram-se da base governista e iniciaram protestos reivindicativos.
Houve um aumento de preços dos mais diversos produtos e serviços. Desta
maneira, a inflação acelerou e as medidas econômicas do governo foram
duramente atacadas pelos grupos mais à esquerda. Estes viam nas medidas
apenas a continuação de uma política antiquada que eles mesmos
combatiam. Iniciaram-se greves comandadas pela
CGT, o que repercutia mal nos setores patronais.
Em 4 outubro de 1963 Goulart solicita o
estado de sítio
ao Congresso Nacional pelo prazo de 30 dias. A justificativa do
Ministério da Justiça era que o governo necessitaria de poderes
especiais para impedir a comoção de "guerra civil" que punha em perigo
as instituições democráticas. A manobra foi repelida inclusive pela
esquerda, e a iniciativa foi vista como uma tentativa de golpe por parte
de Jango.
[32]
Houve também uma importante guinada em direção a reformas de base de
inspiração socialista. Junta-se à tensão política a pressão do declínio
econômico.
Revolta dos marinheiros
A revolta dos marinheiros foi um
motim dos marinheiros da
Marinha do Brasil
ocorrido em 25 de março de 1964. Constituiu-se em uma assembleia de
mais de dois mil marinheiros de baixa patente (marinheiros e
taifeiros),
realizada no prédio do Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro.
Os marinheiros exigiam melhores condições para os militares e também
pediam apoio às
reformas políticas de base propostas pelo presidente João Goulart. A assembleia foi chefiada por
José Anselmo dos Santos, mais conhecido como
Cabo Anselmo.
O então ministro da marinha,
Sílvio Mota, ordenou a prisão dos líderes do movimento, enviando um destacamento dos
fuzileiros navais, comandados pelo contra-almirante
Cândido Aragão. Os fuzileiros, porém, juntaram-se ao movimento.
Pouco depois da recusa do comandante Aragão em debelar o movimento,
Jango expediu ordens proibindo qualquer invasão da assembleia dos
marinheiros e exonerou o ministro Mota. No dia seguinte, 26 de março, o
ministro do trabalho Amauri Silva negociou um acordo, e os marinheiros
concordaram em deixar o prédio pacificamente. Logo em seguida, os
líderes do movimento foram presos por militares, sob a acusação de
motim. Horas depois, porém, o presidente anistiou os amotinados, criando
um forte constrangimento entre os militares diante da imprensa e da
sociedade, o que agravou a crise militar.
[33]
Logo depois, em 30 de março, véspera do golpe, Goulart compareceu a uma
reunião de sargentos, no Automóvel Clube, discursando em prol das
reformas pretendidas pelo governo e invocando o apoio das forças
armadas.
[34]
As estatizações e as supostas fraudes financeiras
As recentes estatizações feitas por Leonel Brizola nas companhias
telefônica e de energia do Rio Grande do Sul, ambas pertencentes a
grupos dos EUA, criaram um clima tenso entre Brasil e Estados Unidos.
Brizola denunciou um acordo de indenização fraudulenta feito com as companhias dos EUA,
[4]
antigas proprietárias das estatais recém criadas do Rio Grande do Sul. O
ministério caiu e o acordo foi suspenso, desagradando aos Estados
Unidos.
Os sargentos, os estudantes e os Grupos dos Onze
Paralelamente, havia o movimento dos
sargentos
ideologicamente ligados ao governador Brizola. Estes pleiteavam o
direito de serem eleitos, já que suas posses haviam sido impedidas pelo
Supremo Tribunal Federal. O
movimento estudantil, de orientação esquerdista, realizava protestos nas ruas.
[35]
O efeito da organização de sargentos e cabos em grupos políticos não
pode ser subestimado em relação ao descontentamento dos militares com o
governo de Jango, principalmente pela ligação destes com
Brizola,
que era cunhado do presidente, pois subvertia a hierarquia militar, um
dos preceitos mais importantes e talvez a própria alma das Forças
Armadas. Brizola criou o movimento chamado de
Grupos dos Onze,
que consistia na organização popular em grupos de onze pessoas, para
fiscalizar parlamentares e militares (já prevendo tentativas de golpes) e
pressionar o governo e o congresso pelas reformas de base.
[35]
Reação da direita
Os políticos do
PSD,
mais conservadores, temendo uma radicalização à esquerda deixam de
apoiar o governo. A situação política de Goulart se torna insustentável,
pois não tinha apoio total do PTB e nem dos comunistas
[carece de fontes]. Não consegue governar de forma conciliatória.
[carece de fontes]
A UDN e o PSD temiam pelo crescimento do PTB, já que Leonel Brizola
era o favorito para as eleições presidenciais que aconteceriam em 1965.
[carece de fontes] Criou-se o medo de que Goulart levasse o país a um golpe de estado, com a implantação de um regime político nos moldes de
Cuba e China. Era o "perigo comunista", que serviria depois como justificativa para o golpe.
Comício da Central do Brasil e a eclosão do golpe
O comício de Goulart e Brizola, na
Central do Brasil, em 13 de março de 1964, foi a chave para dar início ao golpe. Ficou conhecido como
Comício da Central.
[36]
Brizola e Goulart anunciavam as reformas de base, incluindo um plebiscito pela convocação de nova
constituinte, a reforma agrária e a nacionalização das refinarias particulares de petróleo.
[37] Jango também criticava o sentimento anticomunista e a utilização dos meios religiosos como instrumentos de oposição ao governo.
[38]
Os políticos da UDN e do PSD acreditavam que Brizola pudesse vencer
as eleições presidenciais e que o povo apoiaria o seu projeto.
[39] Logo a aliança UDN-Militares-Estados Unidos iniciou sua mobilização definitiva em direção ao golpe.
[39]
O uso da religião
Desde 1961 o IPES estava mobilizando a classe média. Sendo o Brasil
de maioria católica, a parcela cristã conservadora foi mobilizada para a
Marcha da Família com Deus pela Liberdade, reunindo centenas de milhares de pessoas.
[40] A manifestação foi amplamente coberta pela mídia e provocou o alastramento de um sentimento anticomunista pela sociedade.
[38]
No Rio, a marcha teve como ponto de partida uma grande concentração
entre a igreja da Candelária e o prédio do Ministério da Guerra. Segundo
Marcos de Castro, a manifestação teve quase nenhuma participação das
camadas pobres da população, tendo a maior parte das pessoas vindo de
bairros nobres cariocas.
[38]
Em São Paulo, quinhentas mil pessoas participaram da Marcha da
Família com Deus pela Liberdade, no dia 19 de março de 1964. Os
manifestantes foram da
Praça da República em direção à
Praça da Sé, onde foi realizada uma missa pela "salvação da democracia", celebrada pelo padre
Patrick Peyton, conhecido por sua campanha anticomunista, cujo slogan era "A família que reza unida permanece unida”.
[40][41]
A marcha teve suporte garantido por
Adhemar de Barros,
Carlos Lacerda e pela
CIA.
[42]
A finalidade desta era mobilizar a maior quantidade possível de
participantes para dar respaldo popular e facilitar aos militares a
organização da derrubada de Goulart com o apoio dos políticos e da
sociedade organizada.
[43]
Na época, setores conservadores de outras igrejas também se juntaram ao apoio às cruzadas "anticomunistas". A
Igreja Metodista,
por exemplo, encontrava-se dividida, com setores simpáticos às reformas
de Jango, e outros fortemente alinhados aos movimentos golpistas. Cabe
lembrar aqui que, no final de 1968, ocorreu o fechamento da Faculdade de
Teologia dessa Igreja, em sintonia com o
AI-5.
[7] [44]
Muitos pastores das Igrejas Metodista, Luterana e Presbiteriana foram
perseguidos. Alguns afastados da vida eclesiástica e compulsoriamente
aposentados. Essas igrejas estavam claramente divididas entre os
favoráveis ao golpe e os contrários, ligados às
Comunidades Eclesiais de Base.
[7]
A movimentação popular foi financiada pelo IPES.
[43]
Envolvimento da França
Adidos militares franceses ensinaram técnicas de tortura para
militares brasileiros e de outros países da América Latina usando
táticas utilizadas na
Guerra Civil Argelina e na
Guerra da Indochina.
[45][46]
Envolvimento dos EUA
Reunião de Kennedy com Lincoln Gordon
Entre 11h55 e 12h20 de 30 de julho de 1962, ocorreu na
Casa Branca
uma reunião que já apontava a influência que teriam os Estados Unidos
no golpe que viria a ocorrer no Brasil dois anos mais tarde.
[4]
Na presença do subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos,
Richard Goodwin, do assessor especial para Assuntos de Segurança
Nacional, McGeorge Bundy, e do embaixador americano no Brasil,
Lincoln Gordon, que tinha ido a Washington relatar a
John Kennedy
a conversa pessoal que havia tido com o presidente João Goulart, no dia
23 de julho de 1962, em Brasília, Kennedy instruiu Gordon a interferir
ativamente na política interna brasileira.
[47][48]
 |
(Kennedy): - Então, o que vamos fazer ? Eu
digo, quem vamos escolher? Nós temos que mandar para lá alguém que possa
estabelecer ligações muito rápidas... e tem de falar em português.
(Goodwin): - Por que não falamos com o Ros Gilpatric ou alguém...
(Kennedy): - Ótimo, mas isto tem de ser feito hoje. (Quinze segundos
suprimidos como documento classificado.) |

— John Kennedy, Lincoln Gordon, Richard Goodwin[47]
|
Financiamento eleitoral
O presidente norte-americano John Kennedy, através do
intervencionismo político no Brasil, ordenou o financiamento das
campanhas.
[30]
Segundo o ex-agente da CIA, Philip Agee, os fundos provenientes de
fontes estrangeiras foram utilizados na campanha de oito candidatos aos
governos dos 11 estados onde houve eleições . Houve também o apoio a
quinze candidatos ao Senado, a 250 candidatos à Câmara e a mais de
quinhentos candidatos às Assembleias Legislativas.
[39]
Foram feitas doações através do
IBAD. Como a bancada de esquerda aumentou, as doações de campanha resultaram numa
CPI, que apurou sua procedência. Veio através dos bancos
Royal Bank of Canada,
Bank of Boston e
First National City Bank.
[30]
Os militares brasileiros, com respaldo político e econômico das forças
da UDN, lideradas por Carlos Lacerda, passaram a modelar um movimento
para remover Jango do poder.
[30]
Pedido de apoio de Lacerda
Lacerda havia pedido uma intervenção dos EUA na política brasileira, conforme entrevista ao correspondente no Brasil do jornal
Los Angeles Times,
Julien Hart.
[30] Sua atitude causou uma crise política com os ministros militares solicitando o estado de sítio e a prisão de Lacerda.
[30]
O estado de sítio foi recusado pelo congresso, com a esquerda
suspeitando que fosse uma armadilha dos militares para prender os
líderes de esquerda, como Brizola e Miguel Arraes.
[10]
Operações de logística e apoio militar armado da US Navy
Como os arquivos do governo de Lyndon Johnson, abertos vinte anos
mais tarde, comprovariam, durante o Golpe militar Brasileiro foi feita
uma operação militar chamada
Operação Brother Sam para atuar no Brasil em apoio à
Operação Popeye dos militares.
[49]
"Somente no ano de 1962, quase cinco mil cidadãos americanos entraram
no Brasil, número muito superior à média histórica conforme estudo de
Jorge Ferreira."
[30]
Ainda:
(sic) "…o deputado José Joffily, do partido
Social-Democrático (PSD), denunciou a 'penetration' e, no princípio de
1963, o jornalista José Frejat, através de O Semanário
, revelou
que mais de cinco mil militares norte-americanos, 'fantasiados de
civis', desenvolviam, no Nordeste, intenso trabalho de espionagem e
desagregação do Brasil, para dividir o território nacional…"[50]
Darcy Ribeiro citou ainda que "foi desencadeado com forte contingente armado, postado no Porto de Vitória, com instruções de marchar sobre
Belo Horizonte".
A "Brother Sam" objetivava abastecer com combustível e armas os militares golpistas. O porta-aviões americano
USS Forrestal (CVA-59) e destróieres foram enviados à costa brasileira e ficaram próximos do
Porto de Vitória (ES) e serviriam de apoio militar às tropas golpistas caso tropas legalistas decidissem resistir ao golpe.
[49]
Envolvimento da CIA
Nos telegramas abertos pelos arquivos de segurança nacional
americanos, Gordon também reconhece envolvimento americano em "operações
secretas de manifestações de rua pró-democracia …e encorajamento [de]
sentimento democrático e anti-comunista no Congresso, nas Forças
Armadas, grupos de estudantes e trabalhadores pró-americanos, igreja, e
empresas" e que ele "pode pedir fundos adicionais modestos para outros
programas de ações secretas em um futuro próximo".
[51]
Os arquivos reais operacionais da CIA permanecem confidenciais,
impedindo os historiadores de medir precisamente o envolvimento direto
da CIA no golpe.
[52]
Correntes de pensamento da época
Jango seguia a tradição do
nacionalismo trabalhista de Getúlio Vargas, que havia sido de seu partido, o PTB, cujos críticos acusavam de ser de natureza
populista, além de ter influência de centro-esquerda. Os militares, alguns treinados na
Escola das Américas,
defendiam a ideologia reacionária anticomunista da segurança nacional
desenvolvida no centro estratégico das Forças Armadas Brasileiras no Rio
de Janeiro, a
Escola Superior de Guerra, cuja orientação filosófica seguia a política do
National War College desde o final da Segunda Guerra Mundial e início da Guerra Fria.
Cronologia do golpe
No dia 28 de março de 1964, na cidade de Juiz de Fora, os generais Olímpio Mourão Filho e
Odílio Denys se reuniram com o governador de Minas Gerais, o banqueiro
Magalhães Pinto. Pinto foi um dos principais financiadores do IPES.
A finalidade da reunião era o estabelecimento de uma data para o
início da mobilização que culminaria com o golpe militar de 1964.
As datas
A data estabelecida para o início das
operações militares para o golpe foi o dia 4 de abril de 1964. Conforme descrito pelos jornais
O Estado de S. Paulo e
Folha de S. Paulo[53], o general
Carlos Guedes, da
Infantaria, afirmou que não poderia ser dado o golpe na data planejada, pois "nada que se faz em lua de
quarto minguante dá certo". Consta que os golpistas haviam combinado em postergar a mobilização para depois do dia 8 de abril de 1964.
Em 31 de março de 1964 o general Olímpio Mourão Filho resolveu intempestivamente partir com suas
tropas para o Rio de Janeiro às três horas da manhã. Este ato, segundo os jornais, foi considerado impulsivo pelo marechal
Humberto de Alencar Castello Branco.
[10]
Castello Branco, ao saber da partida de Olímpio Mourão Filho,
telefonou para Magalhães Pinto com o intuito de segurar o levante.
Consta que o Marechal considerava o movimento prematuro e intempestivo.
Pinto argumentou que uma vez iniciado o desenlace, seria um erro parar, pois alertaria as forças
legalistas, podendo agravar a situação.
Anos mais tarde o deputado
Armando Falcão perguntou ao general Olímpio Mourão Filho o porquê da atitude precipitada.
[10] A resposta do militar divulgada pela imprensa foi: "Em matéria de política, sou uma vaca fardada."
[54]
Segundo analistas, a precipitação foi um ato temerário de falta de
visão estratégica que foi largamente discutido por historiadores e pela
imprensa no sentido de que se houvesse reação poderia ter causado uma
guerra civil no Brasil. Para tal bastaria que Goulart tivesse uma
parcela de apoio de outros segmentos das Forças Armadas leais à
Constituição Brasileira, entre elas o general
Armando de Moraes Âncora.
A Imprensa
Antes do regime militar do Brasil, jornais como
O Globo,
Jornal do Brasil,
Correio da Manhã e
Diário de Notícias pregaram abertamente a deposição do presidente. Poucos jornais se opuseram ao golpe, destacando-se entre eles o
Última Hora, o
Diário Carioca e
O Semanário.
Em 31 de março, a maioria da imprensa apoiava o fim do governo João Goulart:
"Seria rematada loucura continuarem as forças democráticas desunidas e
inoperantes, enquanto os inimigos do regime vão, paulatinamente,
fazendo ruir tudo aquilo que os impede de atingir o poder. Como dissemos
muitas vezes, a democracia não deve ser um regime suicida, que dê aos
seus adversários o direito de trucidá-la, para não incorrer no risco de
ferir uma legalidade que seus adversários são os primeiros a
desrespeitar." ―
O Globo de 31 de março de 1964.
"(…) Além de que os lamentáveis acontecimentos foram o resultado de
um plano executado com perfeição e dirigido por um grupo já identificado
pela Nação Brasileira como interessado na subversão geral do País, com
características nitidamente comunistas." ―
Correio do Povo de 31 de março de 1964.
"O Exército e os desmandos do Presidente.
"Se a rebelião dos sargentos da Aeronáutica fora suficiente para
anular praticamente a eficiência da Arma, a subversão da ordem na
Marinha assumia as dimensões de um verdadeiro desastre nacional." ―
O Estado de S. Paulo de 31 de março de 1964.
"Aquilo que os inimigos externos nunca conseguiram, começa a ser
alcançado por elementos que atuam internamente, ou seja, dentro do
próprio País. Deve-se reconhecer, hoje, que a Marinha como força
organizada não existe mais. E há um trabalho pertinaz para fazer a mesma
coisa com os outros dois ramos das Forças Armadas." ―
Folha de S. Paulo de 31 de março de 1964.
"Basta! Não é possível continuar neste caos em todos os setores.
Tanto no lado administrativo como no lado econômico e financeiro." ―
Correio da Manhã de 31 de março de 1964.
"É cedo para falar dos programas administrativos, da Revolução. Mas é
incontestável que um clima de ordem substituiu o que dominava o País,
onde nem mesmo nas Forças Armadas se mantinham nos princípios de rígida
disciplina hierárquica que as caracterizam." ―
Folha de S. Paulo de 31 de março de 1964.
Segundo o jornalista
Fernando Molica, "a grande maioria dos jornais era favorável à derrubada do governo João Goulart e festejou o golpe".
[55]
Segundo
Mino Carta, "a
Folha de S. Paulo
não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14 (popular
Chevrolet Veraneio), usada para transportar o jornal, para recolher
torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban,
Operação Bandeirante".
A sequência do golpe
Em seguida à marcha de Olímpio Mourão Filho, o general Âncora havia
recebido ordem de João Goulart para prender Castello Branco, porém não a
cumpriu. Comandando o Destacamento Sampaio para interceptar o
Destacamento Tiradentes,
comandado pelo general Murici, o general Âncora, embora com tropa muito
mais poderosa e armada não entrou em confronto com os militares que
vinham de São Paulo. Ao chegar na Região de Resende, deparou-se com
cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras em posição defensiva,
visando retardar o deslocamento das tropas vindas do Rio. O general
Âncora, vendo o futuro da oficialidade do Exército à sua frente, segundo
suas palavras "não quis derramamento de sangue brasileiro atirando
contra a juventude do país".
Se as forças se enfrentassem no
Vale do Paraíba, onde se encontraram, poderia se iniciar uma guerra civil, o que, segundo os cronistas da imprensa, os militares não queriam.
A união das tropas
O Segundo Exército era comandado pelo general
Amauri Kruel, que, em contato telefônico com o presidente, recebeu um pedido de apoio para pôr fim ao avanço.
Kruel impôs a condição do fechamento do CGT e a prisão de seus
dirigentes para apoiar Jango, no que teve a negativa do governante.
Então suas tropas se dirigiram para o
Rio de Janeiro pela
Via Dutra, onde foram interceptadas pelo general
Emílio Garrastazu Médici, que estava com os cadetes das
Agulhas Negras à sua frente.
No dia 1 de abril de 1964 houve uma reunião entre Âncora e Kruel,
que, convencidos por Médici, se uniram de fato aos demais militares.
Durante as negociações, foi decidida a união das tropas.
A prisão de Miguel Arraes e Seixas Dória
Enquanto isto, no Nordeste, Miguel Arraes, governador de Pernambuco, e
Seixas Dória, governador de
Sergipe, foram presos como traidores da nação.
Jango se refugia no Rio Grande do Sul
O Quarto Exército comandado pelo
General Justino Bastos dominava estrategicamente toda a situação, e João Goulart havia voado para
Brasília para procurar apoio do Congresso. Na
Guanabara,
Carlos Lacerda havia posto a polícia à caça de colaboradores de Goulart
bloqueando ruas e acessos com caminhões de lixo. As tropas da polícia
de Lacerda chegaram a cercar o palácio Guanabara, numa tentativa de
prender o Presidente da República.
Enquanto era perseguido pelos golpistas, Goulart reuniu-se com o general
Nicolau Fico, comandante militar de Brasília, e o
general Assis Brasil, chefe da Casa Militar.
Preparou um comunicado à nação, informando que iria para o Rio Grande
do Sul para se unir às forças do III Exército, sob o comando do general
Ladário Teles, informando sobre o golpe e conclamando a população a
lutar pela legalidade.
Darcy Ribeiro e
Waldir Pires falaram à população pela
televisão. O governo ainda controlava os meios de comunicação em Brasília. O presidente tentou viajar para
Porto Alegre
em avião de carreira, porém a decolagem foi sabotada por golpistas.
Jango voou então no avião presidencial, arriscando-se a ser abatido por
militares.
Apesar do acordo com o general Nicolau Fico estabelecer que as tropas
ficariam nos quartéis em Brasília, os militares ocuparam as imediações
do Congresso para impedir manifestações populares. Estas estavam
previstas se os congressistas se reunissem para votar o impedimento do
presidente.
O motivo seria o fato do chefe da nação ter se ausentado do país. Darcy Ribeiro fez então um comunicado, lido por
Doutel de Andrade na tribuna do Congresso Nacional, já na madrugada do dia 2 de abril.
A ação do Congresso
O senador
Auro Soares de Moura Andrade,
presidente do Congresso Nacional, apesar de o presidente da República
estar no país, declarou vaga a presidência. Alegou que o presidente
havia saído do Brasil e que o comunicado de Darcy Ribeiro era mentiroso.
Andrade empossou o presidente da Câmara
Ranieri Mazzilli como governante provisório, ato considerado anos depois por juristas como irregular.
[carece de fontes] Em seguida mandou desligar os microfones e as luzes rapidamente, sob protestos de
Tancredo Neves.
[carece de fontes]
Os participantes do Congresso Brasileiro criaram assim condições para o golpe militar e a ditadura que se seguiria.
Jango vai embora do Brasil
Consta que Darcy Ribeiro tentou convencer o presidente a resistir.
Darcy considerava que o governo deveria resistir usando a aviação,
comandada pelo brigadeiro Teixeira, para conter as tropas de Olímpio
Mourão Filho, composta de recrutas desarmados, e os fuzileiros,
comandados pelo
contra-almirante Aragão, que poderiam então prender Carlos Lacerda e Castello Branco.
[carece de fontes]
Goulart se recusou a resistir pois fora informado que os golpistas
tinham o apoio da armada americana, que estava se encaminhando para o
Brasil, o que poderia conflagrar uma
guerra civil. João Goulart tinha o apoio do Terceiro Exército comandado pelo general
Ladário Teles,
e de Leonel Brizola. Porém decidiu ir embora do Brasil. A partir de
então teria surgido uma dura inimizade entre Brizola e João Goulart, que
perduraria até 1976.
[carece de fontes]
O general
Argemiro de Assis Brasil
foi figura determinante na fuga de Jango do país durante o golpe, pois
protegeu-o e à sua família, guiando-o em segurança para o Uruguai. Ao se
apresentar às autoridades que assumiram ao poder, o general foi preso,
processado e sua carreira profissional interrompida sendo considerado
traidor. Perante o Exército Brasileiro o general Assis Brasil passou a
ser considerado morto.
[carece de fontes]
Consolidação do regime militar
O jornal
Última Hora e a sede da
UNE
foram destruídos por militantes de Lacerda, muitas das organizações que
apoiavam Jango tiveram seus líderes presos e perseguidos pela ditadura e
muitas das organizações que apoiavam Jango tiveram seus líderes
perseguidos e presos.
[carece de fontes]
À imediata imposição de um estado de exceção, com a suspensão dos
direitos civis, seguiu-se a instauração de uma
ditadura militar, política e economicamente alinhada aos Estados Unidos
[carece de fontes] - o que, segundo o novo governo, era primordial para a
modernização do Brasil. A frase "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil" resumia uma espécie de doutrina vigente.
[56]
Base de apoio militar
O movimento político militar de 1964 foi um golpe de estado, portanto não somente militar. O
Congresso e a
sociedade civil
tiveram sua parcela de responsabilidade aceitando o patrocínio
financeiro e logístico dos Estados Unidos. A "Operação Brother Sam",
conforme amplamente divulgado pela própria imprensa nacional e
estrangeira, teve papel importante em respaldar a "Operação Popeye",
deflagrada por Olímpio Mourão Filho. O
National Security Archive,
entidade de pesquisa e divulgação de documentos secretos do governo
norte-americano, por ocasião dos quarenta anos do golpe militar,
divulgou documentos (em
domínio público) do primeiro escalão do governo norte-americano da época.
Segundo os arquivos, para o presidente Lyndon Johnson o que estava em
jogo era o confronto global entre o comunismo soviético e a democracia.
Por essa razão Johnson estava disposto a fazer o que fosse preciso para
ajudar o movimento que derrubou João Goulart.
A embaixada e os consulados norte-americanos no Brasil tinham agentes
da CIA encarregados de levantar informações sobre as atividades de
comunistas e militares no Brasil.
Segundo matéria da revista
Veja,
em sua edição 1 848, de 7 de abril de 2004, "os militares e empresários
que conspiravam contra Jango tinham o hábito de pedir apoio aos
americanos para suas aspirações golpistas, revela um relatório de
Lincoln Gordon de 27 de março de 1964. (…) Uma nova leva de papéis foi
publicada na semana passada no site do National Security Archive".
A quebra da hierarquia
Uma justificativa apresentada à opinião pública pelos militares após a
revolução era a de que este era um movimento político militar para
derrubar Jango e restabelecer a
hierarquia militar
vertical abalada nas Forças Armadas, pelo apoio do presidente da
República à luta emancipatória dos sargentos e marinheiros, que queriam
candidatar-se a
cargos públicos.
Este era "ato considerado irregular pela própria legislação e pela
Constituição vigente". Também afirmavam que queriam evitar a
contaminação das doutrinas de esquerda no Brasil pelos chineses, cubanos
e soviéticos. Afirmavam ainda que a finalidade do golpe foi também
controlar a
inflação e colocar o país "nos eixos".
O golpe de 1964 se transformou numa sucessão de atos institucionais,
mas também de construções de grandes obras. A modernização elevou o país
como uma das grandes economias mundiais. As dívidas geradas pelas
famosas "obras faraônicas", ao final da
ditadura, geraram uma inflação galopante que levaram o Brasil a um período chamado posteriormente por alguns setores da imprensa, como "
A década perdida".
As promessas
No início houve a promessa à elite, à classe média e à população em
geral (noticiada fartamente no rádio, na televisão e na imprensa em
geral), que a Constituição de 1946, a normalidade democrática e as
eleições seriam preservadas e restabelecidas rapidamente (em 1966, no
mais tardar), logo ao final do mandato de Jango, que estaria sendo
preenchido pelos interventores militares.
Segundo a
Fundação Getúlio Vargas:
- "(sic) …o golpe militar foi saudado por importantes setores da
sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos
proprietários rurais, da Igreja católica, vários governadores de estados importantes (como Carlos Lacerda,
da Guanabara, Magalhães Pinto, de Minas Gerais, e Ademar de Barros, de
São Paulo) e amplos setores de classe média pediram e estimularam a
intervenção militar, como forma de pôr fim à ameaça de esquerdização do
governo e de controlar a crise econômica."
No pensamento vigente da época, o Brasil estava perdido em greves,
"baderna", corrupção, "roubalheira" e inflação, portanto haveria que ser
feito algo urgente para restabelecer uma suposta ordem democrática.
A
propaganda institucional (ver IPES) era farta. A sociedade estava dividida pela ideologia.
É alegado que qualquer que fosse a direção tomada, fatalmente o
Brasil seria uma ditadura, ou de esquerda, ao estilo soviético, chinês,
ou cubano, ou de direita, como tantas outras que floresceram na América
Latina.
Assim, houve a ditadura de direita, alinhando-se ao bloco liderado e financiado pelos Estados Unidos.
Após o golpe de 1964
Logo após o golpe de 1964, em seus primeiros 4 anos, a ditadura foi endurecendo e fechando o regime aos poucos. Vieram os
atos institucionais,
artificialismos criados para dar legitimidade jurídica a ações
políticas contrárias à Constituição Brasileira de 1946, culminando numa
ditadura. O período compreendido entre 1968 e 1975 foi determinante para
a nomenclatura histórica conhecida como "
anos de chumbo".
Dezoito milhões de eleitores brasileiros sofreram das restrições
impostas por seguidos atos institucionais que ignoravam e cancelavam a
validade da
Constituição Brasileira, criando um estado de exceção, suspendendo a democracia.
Querendo impor um modelo social, político e econômico para o Brasil, a
ditadura militar no entanto tentou forjar um ambiente democrático, e
não se destacou por um governante definido ou personalista. Durante sua
vigência, a ditadura militar não era oficialmente conhecida por este
nome, mas pelo nome de "Revolução" e seus governos eram considerados
"revolucionários". A visão crítica do regime só começou a ser permitida a
partir de 1974, quando o general Ernesto Geisel determinou a abertura
lenta e gradual da vida sócio-política do país.
O golpe também foi recebido com alívio pelo governo norte-americano,
satisfeito de ver que o Brasil não seguia o mesmo caminho de Cuba, onde a
guerrilha liderada por Fidel Castro havia conseguido tomar o poder. Os
Estados Unidos acompanharam de perto a conspiração e o desenrolar dos
acontecimentos, principalmente através de seu embaixador no Brasil,
Lincoln Gordon, e do adido militar,
Vernon Walters,
e haviam decidido, através da secreta "Operação Brother Sam", dar apoio
logístico aos militares golpistas, caso estes enfrentassem uma longa
resistência por parte de forças leais a Jango.
Correntes ideológicas militares
Segundo o tenente-coronel de Infantaria e Estado-Maior do Exército
Brasileiro Manoel Soriano Neto, em palestra comemorativa proferida na
AMAN em 12 de setembro de 1985, em homenagem ao centenário do
marechal José Pessoa:
-
- "Com as desavenças que grassavam na corrente outubrista, o tenentismo vem a se desintegrar. Tal fato se dá após a Revolução de 1932, mormente durante o ano de 1933, quando se formava a Assembleia Nacional Constituinte. Parcelas das Forças Armadas se desgarraram para a esquerda e para a direita, incorporando-se à Aliança Nacional Libertadora e à Ação Integralista Brasileira, que apregoavam ideologias importadas, não condizentes com a idiossincrasia de nosso povo."
Portanto, dentro das forças armadas brasileiras, existia uma grave
cisão interna de ordem ideológica e, ainda havia outra divisão entre os
moderados e a linha dura.
Porém havia também o sentimento patriótico autêntico que manteve ocultas da população todas as desavenças internas.
Os grupos concorrentes entre si defendiam pontos de vistas diferentes:
- Um grupo defendia medidas rápidas diretas e concretas contra os
chamados "subversivos" ou "inimigos internos". Estes militares apoiavam
sua permanência no poder pelo maior tempo possível.
- Ao contrário do grupo anterior, o segundo era formado por militares
que tinham por doutrina a tradição de intervenções "moderadoras". Estes
procuravam permanecer no poder somente o tempo necessário até se formar
um governo aceito pelo grupo, a exemplo do que ocorrera em 1930, 1945 e
1954, quando, passado o período de "maior risco institucional", haveria
um rápido retorno do poder para os civis.
Doutrina da segurança nacional
Para os dois grupos era necessário salvaguardar o Brasil contra o poder do
comunismo internacional (além do anti-getulismo; leia-se "
anti-populismo").
Segundo a doutrina dos militares, o inimigo devia ser extirpado a
todo custo e os governos populistas seriam uma porta de entrada para a
desordem, subversão e propiciariam a entrada de ideologias nocivas à
nação.
As facções contrárias internamente nas forças armadas acabaram se
unindo apesar da não concordância metodológica. Desta forma, os
militares mais radicais se aglutinaram ao general
Costa e Silva, e os mais estratégicos ao general Humberto de Alencar Castelo Branco.
Muitos militares da época afirmam que se a orientação
filosófico-ideológica das forças armadas fosse para a esquerda, estas
defenderiam da mesma forma a linha de pensamento, somente o inimigo que
mudaria de lado, o que importava era a segurança da Nação.
Beneficiados
Entre os que apoiariam o golpe militar, havia muitos especuladores de capital, banqueiros,
grandes latifundiários,
setores da indústria mecânica, construção civil, e principalmente
políticos oportunistas que trocavam de partido independente da sua
orientação ideológica.
[57]
Os maiores financiadores do golpe foram notadamente as grandes
oligarquias do Brasil, além das multinacionais e do próprio governo estadunidense.
[58]
O IPES, principal órgão de suporte ideológico do golpe, tinha como maiores financiadores seis empresas:
Refinaria União, Construtora Rabelo,
Light, Cia Docas de Santos,
Icomi,
Listas Telefônicas Brasileiras, além de trezentas empresas norte-americanas de menor porte.
[59]
Milagre econômico
O surto de crescimento econômico que ocorreu em seguida ao golpe militar, chamado de "
Milagre brasileiro",
caracterizado pela modernização da indústria e pelas grandes obras,
estava de fato ocorrendo. Porém, também havia os interesses de grandes
grupos econômicos e a especulação do capital. Estes tinham interesse nos
lucros advindos da ditadura forçando a construção de grandes obras de
infra-estrutura.
Naquela época, fortunas gigantescas foram ganhas às custas de empréstimos externos. Dizem alguns
[quem?]
que o retorno do investimento das empresas e grupos multinacionais era
necessário, o montante aplicado no golpe foi imenso. O problema não
equacionado foi o custo social do retorno.
O Brasil cresceu, sendo elevado à oitava economia do planeta, mas endividou-se exponencialmente.
Ao primeiro sinal de crise, entre 1973 e 1974, o capital especulativo
volátil se foi para outras praças mais seguras, deixando o país num
beco sem saída. Os empréstimos a juro barato se extinguiram, o
crescimento desacelerou, o país entrou em grandes dificuldades de caixa e
principalmente de liquidez. Muitas obras pararam ou tiveram sua
qualidade diminuída em função da falta de dinheiro para um término
adequado, outras foram inauguradas às pressas.
A aceleração inflacionária começou lenta, gradual e constante. A
economia de aproximadamente 67% da massa populacional (em torno de 40
milhões de pessoas) teve uma redução abrupta, o povo empobreceu e se
endividou rapidamente junto ao sistema financeiro, o que gerou escassez
de capital e aumentou a impressão de papel-moeda, que realimentou a
inflação, que por sua vez alimentou a escassez.
A
pressão social
foi aumentando exponencialmente, e todos começavam a maldizer o
governo, inclusive os próprios servidores públicos, apesar de isso ser
proibido.
O governo militar, prevendo onde isso poderia chegar, viu-se forçado a
mudar de estratégia. Já em meados de 1976, iniciou um lento processo de
abertura democrática e adequação social. Este processo não poderia ser
rápido demais, pois poderia haver uma explosão social, nem muito lento,
pois a recessão advinda poderia destruir a economia do país.
Ato Institucional Número Um
Em 9 de abril de 1964 foi publicado o
Ato Institucional Número Um,
ou AI-1, que suspendeu por dez anos os direitos políticos de todos
aqueles que poderiam ser contrários ao regime, intimidando os
congressistas com a ameaça de cassações, prisão, enquadramento como
subversivos e expulsão do país. A Lei de Segurança Nacional, que seria
publicada em 3 de março de 1967, teve seu embrião no AI-1.
O primeiro paragrafo do AI-1, conforme já observado, mostra a preocupação de legitimar imediatamente o novo regime:
- "…É indispensável fixar o conceito do movimento civil e militar que
acaba de abrir ao Brasil uma nova perspectiva sobre o seu futuro. O que
houve e continuará a haver neste momento, não só no espírito e no
comportamento das classes armadas, como na opinião pública nacional, é
uma autêntica revolução… A revolução se distingue de outros movimentos
armados pelo fato de que nela se traduz não o interesse e a vontade de
um grupo, mas o interesse e a vontade da Nação… A revolução vitoriosa se
investe no exercício do Poder Constituinte. Este se manifesta pela
eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais
radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder
Constituinte, se legitima por si mesma."
Lista dos principais movimentos da época
Direita
Ver também
Referências
- ↑ a b Soriano Neto, Manoel (PDF), A Revolução de 31 de março de 1964 (Uma análise sumária de suas causas)], Ministério da Defesa. Exército Brasileiro. Secretaria-Geral do Exército. Centro de Documentação do Exército, http://www.cdocex.eb.mil.br/site_cdocex/Arquivos%20em%20PDF/Revolucao64.pdf.
- ↑ ARRUDA, Roldão. (10 de março de 2013). "Após polêmica, obra é entregue sem alarde". O Estado de S. Paulo (43 608): A10. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931. Página visitada em 10/3/2013.
- ↑ SCHWARZ, Roberto. Cultura e politica: 1964-1969. 2 ed. [S.l.]: Paz e Terra, 2001. ISBN 978‐85‐2190393‐2 Página visitada em 20-11-2012.
- ↑ a b c d e f g AYERBE, Luís Fernando. Estados Unidos e América Latina: A construção da hegemonia. São Paulo: Editora Unesp, 2002. p. 229.
- ↑ Dias, Maurício, Revolução de 1964, Brasil: CPDOC-FGV.
- ↑ a b c d Bigeli, Alexandre. Elites e militares derrubaram o governo de Jango. Educação. UOL. Página visitada em 05 de setembro de 2012.
- ↑ a b c "A fé debaixo dos coturnos", Eclésia (BR), visitado em 17 de abril de 2010.
- ↑ VIZENTINI, Paulo Fagundes. [http://www.cprepmauss.com.br/documentos/politicaexternaindependente52434.pdf O nacionalismo desenvolvimentista e a política externa independente (1951-1964)] (PDF). Cprep Mauss.
- ↑ "1964: O golpe contra as reformas e a democracia", Revista Brasileira de História (BR: Scielo), visitado em 11 de julho de 2010.
- ↑ a b c d e Antonio Gasparetto Junior (18 de fevereiro de 2010). O Golpe Militar de 1964 (em português). História Brasileira. Página visitada em 5 de setembro de 2012.
- ↑ "Perigo vermelho" (JPEG), CPDoc, BR: FGV.
- ↑ "Perigo comunista" (JPEG), CPDoc, BR: FGV.
- ↑ Departamento de Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas - O golpe de 1964 e a instauraçao do regime militar
- ↑ Departamento de Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas - O anticomunismo nas Forças Armadas
- ↑ Elio Gaspari, em seu livro A Ditadura Envergonhada – Companhia das Letras
- ↑ Luiz Alberto Moniz Bandeira. 1964: A CIA e a técnica do golpe de Estado (em português). Revista Espaço Acadêmico. Página visitada em 6 de setembro de 2012.
- ↑ a b c d e FOX, Roger W. Brazil's minimum price policy and the agricultural sector of Northeast Brazil. International Food Policy Research Institute, 1979.
- ↑ Decreto nº 53.700, de 13 de março de 1964.
- ↑ Decreto nº 53.701, de 13 de março de 1964.
- ↑ Decreto nº 53.702, de 14 de março de 1964.
- ↑ Reincidência. Jornal do Brasil, 31 de março de 1964, p. 1.
- ↑ Elio Gaspari, em seu livro A Ditadura Envergonhada – Companhia das Letras, página 178
- ↑ USTRA, 2006, p.138.
- ↑ Ferreira, Jorge Luiz e Reis Filho, Daniel Aarão Revolução e democracia (1964-). Coleção "As esquerdas no Brasil", v. 3. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
- ↑ TORRES, Raymundo Negrão. O Fascínio dos Anos de Chumbo, pág. 15. (p.69-70)
- ↑ USTRA, 2006, p.138,
- ↑ USTRA, 2006, p.138-9
- ↑ USTRA, p.140-1
- ↑ ROLLEMBERG, Denise. O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro. UFF.
- ↑ a b c d e f g h i j FERREIRA, Jorge. A estratégia do confronto: a frente de mobilização popular. Revista Brasileira de História/Scielo.
- ↑ FILHO, Oswaldo Munteal. As Reformas de Base na Era Jango. [S.l.]: FGV-EBAPE, 2008.
- ↑ Golpe militar de 1964 (8): veja alguns episódios que antecederam a deposição de Jango. UOL Educação.
- ↑ FGV - CPDOC. "A revolta dos marinheiros", por Sérgio Lamarão.. Cpdoc.fgv.br. Página visitada em 20 de outubro de 2008.
- ↑ Discurso de João Goulart durante reunião de sargentos no Automóvel Clube, em 30 de março de 1964.
- ↑ a b PARUCKER,
P. E. C. Praças em pé de guerra. O movimento político dos subalternos
militares no Brasil, 1961-1964. Niterói, 1992. Dissertação (Mestrado)
PPGH/ICHF, UFF, p.81 e 85-6.
- ↑ O Senado durante o Regime Militar e o papel da Instituição na abertura política (áudio). Senado Federal, Rádio Senado. Brasília, 2008.
- ↑ CPDOC - Fundação Getulio Vargas: Panfleto do Comício da Central. Cpdoc.fgv.br. Página visitada em 17 de agosto de 2008.
- ↑ a b c Carlos Batista Prado. A participação da Igreja Católica na implantação e consolidação do regime militar (PDF). Ampulhetta.org. Página visitada em 26 de abril de 2011.
- ↑ a b c Marcelo D' Alencourt Nogueira (2006). As Relações Políticas de Jão Goulart e Leonel Brizola no governo Jango (1961-1964) (PDF) (em português). Universidade Federal Fluminense. Instituto de Ciências Humanas e Filosofia. Página visitada em 5 de stembro de 2012.
- ↑ a b O duplo papel dos EUA padre Peyton e "Brother Sam". Midiaindependente.org. Página visitada em 5 de maio de 2011.
- ↑ Cruzada do Rosário em Família
- ↑ LAGO, Rudolfo. Os
EUA no golpe de 64: Documentos americanos revelam que a CIA apoiou as
Marchas com Deus pela Liberdade e estava em sintonia com golpistas. IstoÉ Independente.
- ↑ a b Márcio de Paiva Delgado, O “Golpismo Democrático”: Carlos Lacerda e o jornal Tribuna da Imprensa na quebra da legalidade (1949-1964), página visitada em 17 de abril de 2010
- ↑ Suzel Magalhães Tunes, O Pregador Silencioso, página visitada em 17 de abril de 2010
- ↑ A batalha de Argel na América do Sul Carta Maior. De Eduardo Febbro
- ↑ Professor de tortura francês participava de guerra contra-revolucionária na Amazônia Site Terra. De José Ribamar Bessa Freire
- ↑ a b Tape 1: Brazil, Peru, Common Market, Berlin, and Canada
- ↑ A íntegra da conversa de Kennedy, Gordon..., The Presidential Recordings- John F. Kennedy - Miller Center of Public Affaires - University of Virginia, USA.
- ↑ a b Morre americano acusado de ajudar golpe de 64. Congresso em foco/UOL.
- ↑ A CIA e a Técnica de Golpe
- ↑ 187. Telegram From the Ambassador to Brazil (Gordon) to the Department of State Rio de Janeiro, 28 de março de 1964. Acessado em 3 de abril de 2012
- ↑ Kornbluh, Peter. BRAZIL MARKS 40th ANNIVERSARY OF MILITARY COUP GWU National Security Archive. Acessado em 3 de Abril de 2012.
- ↑ Almanaque da Folha. Folha.com. Página visitada em 2 de abril de 2010.
- ↑ Edson Militão (31 de março de 2012). Sou uma vaca fardada (em português). Gazeta do Povo. Página visitada em 5 de setembro de 2012.
- ↑ Molica, Fernando (28 de novembro de 2005). Imprensa na Ditadura: As 10 reportagens que abalaram o regime. Observatório da imprensa. Página visitada em 13 de agosto de 2008.
- ↑ A frase é atribuída a Juracy Magalhães, embaixador do Brasil nos EUA, no governo Castelo Branco. Ver CPDOC-FGV. Dossiê: A Era Vargas: dos anos 20 a 1945. Biografia de Juraci Magalhães.
- ↑ SCOCUGLIA, Afonso Celso. Goulart e o Golpe de 1964: por uma nova historiografia. UNICAMP.
- ↑ Porque Jango não reagiu? O dilema final do governo deposto em 1964. Biblioteca Câmara.
- ↑ BORTONE, Elaine de Almeida. O envolvimento do IPES nas relações entre o regime civil-militar e a sociedade. Encontro de História Oral 2012.
Bibliografia
- Bibliografia da História do Brasil
- __, Dicionário Histórico e Biográfico Brasileiro: título: Revolução de 1964.
- __, História Oral do Exército - 1964 - 31 de março, Bibliex, 15 volumes, 2006.
- ABREU, Hugo de Andrade, O outro lado do poder, Nova Fronteira, 1979.
- ARMONY, Miguel, A Linha Justa: a Faculdade Nacional de Filosofia nos anos 1962-1964, Rio de Janeiro, Revan, 2002.
- CAMPOS, Roberto de Oliveira, A lanterna na popa, 2 volumes, Topbooks, 1994.
- CASTELO BRANCO, Carlos, Os militares no poder, Nova Fronteira, 1976.
- CASTRO, Celso de, Relume-Dumará.
- CORRÊA, Marcos Sá, 1964, visto e Comentado pela Casa Branca , L&PM.
- COUTO, Ronaldo Costa, Memória Viva do Regime Militar, Record, 1999.
- D´ARAUJO, Maria Celina, CASTRO, Celso, orgs., Ernesto Geisel, Editora FGV, 1997.
- FALCÃO, Armando, Tudo a declarar, Nova Fronteira, 1989.
- IDEM, Geisel - do tenente ao Presidente, Nova Fronteira, 1985.
- FAUSTO, Bóris, História do Brasil, 11º ed., São Paulo, Editora da USP, 2003.
- FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília, orgs., O Brasil Republicano: o tempo da ditadura - regime militar e movimentos sociais em fins do século XX, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2003.
- FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia, orgs., O Brasil Republicano: o tempo da experiência democrática – da democratização de 1945 ao golpe civil-militar de 1964, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2003.
- FIGUEIREDO, Marechal M. Poppe de, A Revolução de 1964, Um depoimento para a história pátria, Rio de Janeiro, Revista da Apec 1970.
- FROTA, Sylvio Frota, Ideais Traídos , Jorge Zahar, 2006.
- GASPARI, E., A Ditadura Envergonhada - As ilusões armadas, São Paulo:Cia. das Letras, 2002.
- GASPARI, E. A Ditadura Escancarada - As ilusões armadas. São Paulo:Cia. das Letras, 2002.
- GASPARI, E., A Ditadura Derrotada - O Sacerdote e o Feiticeiro, São Paulo:Cia. das Letras, 2003.
- GASPARI, E., A Ditadura Encurralada - O Sacerdote e o Feiticeiro, São Paulo:Cia. das Letras, 2004.
- GIORDANI, Marco Pólo, Brasil Sempre, Brasil Sempre, Editora Tchê!, 1986.
- GORENDER, Jacó, O combate nas trevas, Ática, 1987 .
- IANNI, Octávio, O Colapso do Populismo do Brasil, Editora Civilização Brasileira.
- MÉDICI, Roberto Nogueira, Médici - O depoimento, Mauad, 1995.
- MIR, Luis, A revolução impossível, Ed. Best Seller, 1994.
- MURICY, C., Os Motivos da Revolução, Imprensa Oficial, Pernambuco.
- OLIVEIRA, Eliézer de, As Forças Armadas : Política e Ideologia no Brasil, Editora Vozes, 1976.
- PARKER, Phyllis, O Papel dos Estados Unidos da América no Golpe de Estado de 31 de Março, Editora Civilização Brasileira, 1977.
- ROLLEMBERG, Denise, O apoio de cuba à luta armada no Brasil - o treinamento guerrilheiro, Editora Mauad, Rj, 2001.
- SKIDMORE, Thomas E., Brasil: de Getúlio a Castelo, Paz e Terra, 1976.
- SKIDMORE, Thomas E., Brasil: de Castelo a Tancredo, Paz e Terra. 1988.
- USTRA, Carlos Alberto Brilhante, A Verdade Sufocada: a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça, Editora Ser, Rj, 2006.
- USTRA, Carlos Alberto Brilhante, Rompendo o Silêncio - OBAN DOI/CODI, Editerra Editorial, Brasília, 1987.
Ligações externas
- A mídia e o golpe militar de 64 (em português) Manchetes e editoriais dos principais jornais brasileiros, nos primeiros dias após o golpe.
- Década de 1960, Folha de São Paulo (em português)
- The Library of Congress. Country Studies. Brazil (em português)
- A revolução de 64 e os "mitos" (em português) Depoimento de Breno Caldas. Folha de São Paulo, 13 de janeiro de 1979.
- Entrevista de Lucas Figueiredo (em português)
- ARNS, Paulo Evaristo (org). Projeto Brasil Nunca Mais. Versão Integral, (em português)
- Quem Dará o Golpe no Brasil ?. Wanderley Guilherme dos Santos (em português) SANTOS, Wanderley Guilherme dos. In Cadernos do Povo Brasileiro, PINTO, Álvaro Vieira e SILVEIRA, Ênio (organizadores), volume cinco. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, fevereiro de 1962
- Fatos & Imagens. O golpe de 1964. O golpe de 1964 e a instauração do regime militar (em português)