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Leon Trótski[nota 1] (nascido
Lev Davidovich Bronstein;
[2] Ianovka,
7 de novembro de
1879 —
Coyoacán,
21 de agosto de
1940) foi um intelectual
marxista e revolucionário
bolchevique, fundador do
Exército Vermelho e rival de
Stalin na tomada do
PCUS à morte de
Lenin.
Nos primeiros tempos da
União Soviética desempenhou um importante papel político, primeiro como
Comissário do Povo
(Ministro) para os Negócios Estrangeiros; posteriormente como criador e
comandante do Exército Vermelho, e fundador e membro do
Politburo do
Partido Comunista da União Soviética.
Afastado por Stalin (ou Estaline) do controle do partido, Trótski foi
expulso deste e exilado da União Soviética, refugiando-se no
México, onde veio a ser assassinado por
Ramón Mercader, agente da polícia de Stalin.
[3]. As suas ideias políticas, expostas numa obra escrita de grande extensão, deram origem ao
trotskismo, corrente ainda hoje importante no marxismo.
Primeiros anos
Trotsky nasceu numa pequena localidade do
óblast de
Kherson na atual
Ucrânia, sendo o quinto filho de Anna (
1850 -
1910) e David Leontyevish Bronstein ou Bronshtein (
1847 -
1922), um humilde lavrador de origem
judaica que havia aproveitado os esquemas de colonização
tsaristas na
Crimeia
para abandonar a área tradicional de residência autorizada aos judeus
(o "pálio") e converter-se num próspero, ainda que iletrado, fazendeiro.
Embora a família fosse de origem judaica, não era religiosa; em casa, falava-se
russo ou
ucraniano e não
iídiche. Aos 9 anos, foi para
Odessa,
a fim de prosseguir seus estudos numa escola tradicional alemã que, ao
longo dos anos em que Trótski ali permaneceu, passou pelo processo de
russificação,
[4] conforme a política czarista da época.
Um bom aluno, Trotski revelava já um temperamento de líder,
organizando um protesto contra um professor impopular no 2º ano. Não
mostrou, contudo, grande interesse pela
política nem pelo
socialismo até
1896, quando se mudou para
Nikolaev, onde cumpriu seu último ano de estudos secundários. Posteriormente cursou
Matemática por um breve período na
Universidade Nacional de Odessa.
Sua irmã Olga viria a se casar com
Lev Kamenev, um dos principais líderes
bolcheviques e membro do triunvirato liderado por
Stálin, que afastaria o próprio Trótski do poder, sendo também afastado posteriormente.
[2]
Fotografia original, tirada em 7 de novembro de 1919, durante a celebração do segundo aniversário da Revolução de Outubro.
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Os dias da revolução: De Outubro a Brest-Litovski
No decurso da revolução, Trotsky deixa de acreditar na unificação de
todas as facções social-democratas, abandona a sua trajectória anterior
de socialista independente e junta-se ao partido bolchevique de
Lenin. Destacando-se pelo seu talento como organizador e agitador, é eleito presidente do soviete de
Petrogrado, participa activamente na luta para derrubar o Governo Provisório de
Alexander Kerenski, e lidera o Comité Militar Revolucionário que planeja e concretiza o assalto ao
Palácio de Inverno, consumando a
Revolução de Outubro.
Após a conquista do poder pelos Bolcheviques, Trotsky torna-se
Comissário do Povo para os Negócios Estrangeiros, com a missão de
negociar o
armistício militar com a
Alemanha e
seus aliados.
[2]
A posição de Trotsky nas negociações do armistício foi oposta a de
Lenin - que achava que um tratado deveria ser assinado com a Alemanha em
quaisquer condições - mas também oposta a dos comunistas de Esquerda,
que propunham a guerra revolucionária; para ele, a posição a tomar seria
de "nem paz, nem guerra"; o governo soviético deveria retirar-se das
conversações e esperar pela agitação revolucionária no exército alemão.
Através de uma combinação prévia com Lenin, que havia aceitado testar
sua proposta ("
para estar de bem com Trotsky, vale a pena até perder a Letônia e a Estônia", teria dito Lenin), Trótski acaba por retirar-se de facto das conversações a
10 de fevereiro de
1918, respondendo a Alemanha com um novo ataque, que obrigou o governo soviético a assinar por fim a
3 de março o desvantajoso
Tratado de Brest-Litovski.
Trótski abandona subsequentemente o cargo, mas ainda no mesmo mês é nomeado Comissário do Povo para os Assuntos Militares (até
1925) e, em setembro, líder do Comité Militar Revolucionário do regime
soviético.
É neste contexto que lidera de forma decisiva a criação e organização
do Exército Vermelho, que acaba por vencer a longa e violenta
guerra Civil Russa (1918-
20) contra o
Exército Branco, garantindo a sobrevivência do regime soviético.
Comissário da Guerra
Leon TrótskiЛев Д. Троцький1900 (?) (marxist.org).
1918: Formulação da política militar e primeiros sucessos
Contrariamente ao que a velha guarda bolchevique desejava, Trótski
reorganizou o Exército Vermelho em torno do recrutamento compulsório de
camponeses, enquadrados por oficiais do antigo
exército Imperial Russo,
os quais eram vigiados quanto às suas simpatias políticas por
propagandistas e militantes bolcheviques ("comissários políticos")
encarregados de validar as ordens militares dadas por estes oficiais, e
garantir sua confiabilidade ("comando dual").
[2]
O Exército Vermelho foi assim constituído como uma organização
hierarquizada e burocrática, que, como era norma em todos os exército
desse tempo, apoiava-se no uso de uma disciplina estrita que previa o
uso liberal da
pena de morte para atos de covardia e
deserção,
aplicável tanto aos ex-oficiais do Exército Imperial quanto aos
comunistas. Como o próprio Trotsky explicou numa de suas proclamações:
| “ |
Aviso que se qualquer unidade [militar] recuar sem ordens para tal, o primeiro a ser fuzilado será o comissário [político] da unidade, e depois o comandante[...] É o que prometo solenemente diante de todo o Exército Vermelho[5] |
” |
Tal atitude levou a constantes protestos de militantes bolcheviques, que prefeririam um Exército Vermelho organizado como uma
milícia
popular dirigida exclusivamente por comunistas e dotada de oficiais
eleitos. Para Trótski- que nada tinha de militar profissional - no
entanto, as necessidades de uma guerra moderna impunham a posse de
conhecimentos técnicos especializados que poderiam ser encontrados
apenas num corpo de militares de carreira, daí a necessidade absoluta do
recurso a "especialistas burgueses". Leve-se em conta que, pelo uso de
uma disciplina tida por muitos como "brutal", Trótski procurou impor a
vigência do princípio
meritocrático
no Exército Vermelho: não teve qualquer hesitação em promover oficiais
tzaristas competentes a postos de responsabilidade, nem hesitou tampouco
em validar punições e mesmo fuzilamentos de militantes comunistas tidos
como culpados de covardia.
[6]
Ajudou muito, aliás, na qualidade da sua liderança, que Trotsky, não
obstante deixasse as decisões militares a cargo dos oficiais
profissionais, houvesse passado boa parte da Guerra Civil deslocando-se
para o fronte a bordo do seu lendário
trem blindado - dotado de uma
tipografia
portátil, uma banda e outras facilidades - a partir do qual podia
realizar a propaganda, monitorar as atividades militares, resolver
diferendos burocráticos e logísticos, e eventualmente lançar mão dos
seus talentos oratórios para elevar o moral da
tropa.
Na situação militar desesperada do verão de
1918, com os bolcheviques reduzidos à posse da parte da
Rússia Europeia em torno de
Moscou e
Petrogrado
(S.Petersburgo), com os alemães e austríacos ocupando a fronteira
ocidental, os ingleses e franceses o Ártico russo, e as várias formações
antibolcheviques, a
Sibéria,
Trótski recebeu carta branca do Partido para aplicar seus métodos. O
primeiro grande sucesso militar do Comissário da Guerra seria a defesa
da linha de frente dos
Urais contra as tropas da
Legião Checoslovaca
- uma tropa de soldados checos emigrados mobilizados para a luta contra
os austríacos ao lado do exército tzarista, que haviam sido instigados
pela
Entente franco-britânica e pela oposição russa a lutarem contra os bolcheviques - defesa esta que culminou na tomada de
Kazan pelo Exército Vermelho em 10 de Setembro de 1918.
[7]
Após esta vitória,como prova da confiança do Partido na política
militar de Trotsky, o Conselho Militar Supremo foi (temporariamente)
extinto em favor do estabelecimento de um Comandante em Chefe do
Exército Vermelho, o qual viria a ser o comandante do Regimento Vermelho
de Fuzileiros Letões (a
Letônia tendo sido uma das regiões de fronteira do Império Russo onde o
bolchevismo
tinha encontrado mais seguidores) Ioakim Vatsetis (ou Jukums Vacietis),
homem de confiança do Comissário da Guerra. A medida que a situação
militar da Rússia Soviética se tornava menos crítica, no entanto, a
oposição ao Comissário da Guerra, paradoxalmente, recrudescia. Logo após
a vitória no fronte dos Urais, Vatsetis propõs que uma estratégia
puramente defensiva deveria ser seguida no fronte siberiano - onde a
Legião Checoslovaca havia sido substituída pelas tropas do
almirante branco
Aleksandr Kolchak - de forma a poupar tropas para operações no fronte ucraniano, onde as tropas brancas do general
Anton Ivanovich Denikin
estavam na ofensiva. Esta proposta foi rejeitada pelo Comitê Central
bolchevique, e como o avanço no fronte oriental acabou por provar-se bem
sucedido - contra as expectativas de Trotsky e Vatsetis - este acabou
por ser demitido da posição de Comandante em Chefe, que foi dada ao
general Serguei Kamenev
[8] (nenhum parentesco com o cunhado de Trotsky).
[2]
Por trás de todas estas querelas, estava a defesa de Trótski do
Exército Vermelho como organização não partidária, que fez com que ele
tivesse, desde muito cedo, de defrontar-se com uma cabala no interior do
Partido, dirigida por Stalin - que, entre Maio e Outubro de
1918, estava encarregado de organizar serviços de intendência no fronte de
Tsartsin - a futura
Stalingrado - e havia tornado-se o governante informal da região do Baixo
Volga, onde instalara um
reinado de terror
dirigido contra as antigas classes dirigentes e especialmente contra os
antigos oficiais do Exército Imperial, fuzilados sob qualquer pretexto.
Stalin e seu futuro Ministro da Defesa,
Kliment Voroshilov,
levaram sua oposição à Trótski ao ponto de recusarem subordinar-se ao
ex-general tzarista Andrei Snesarev, nomeado por Trótski para dirigir as
operações militares na região. Ao criticar a política de Trótski como
hostil aos "velhos bolcheviques", Stalin conseguiu uma primeira base de
apoio na burocracia do Partido que lhe seria muito útil na luta
posterior pelo poder.
Em outubro de 1918, quando a ameaça dos exércitos brancos na frente
dos Urais tinha desaparecido, no entanto, Trótski voltou sua atenção
para a Frente Sul
[9]
e acabou por impor-se a Stalin, recebendo o apoio de Lenin, que, no
entanto, ciente da necessidade de não diminuir Stalin diante de seus
camaradas de Partido, organizou sua remoção honrosa para
Moscou e encarregou o então Secretário Geral do Partido,
Sverdlov,
de organizar um encontro de reconciliação entre os dois antagonistas, o
qual, no entanto, falhou: Trotsky respondeu a Stalin, quando este
pediu-lhe para que não perseguisse seus "rapazes", que a revolução não
tinha tempo para esperar que os "rapazes" crescessem…
[10]
1919: Crise e restauração de prestígio
Continuamente importunado pela oposição da velha guarda bolchevique,
comandada por Stalin, às suas políticas, Trótski chegou, em julho de
1919, a oferecer sua renúncia ao cargo de Comissário da Guerra ao órgão
do Comitê Central do Partido responsável pelas nomeações para cargos
administrativos, o
Orgburo, de forma a obrigar a cúpula do Partido a expressar abertamente seu desacordo consigo ou apoiá-lo.
[11]
Que a segunda opção tenha sido a escolhida deveu-se antes de tudo a
Lenin, que, muito embora encontrasse dificuldades em conciliar os
atritos criados por Trótski, pelo seu comportamento arrogante, com o
restante dos líderes do Partido, continuou em última instância a apoiar
sua política militar, chegando mesmo a, num dado momento em
1919, entregar-lhe um papel timbrado com sua assinatura que Trótski poderia utilizar para validar qualquer ordem sua.
[12]
No entanto, Trótski continuaria tendo suas políticas contestadas
surdamente pelo Partido durante todo o início de 1919, especialmente
pela estratégia tímida que havia proposto para o fronte siberiano (onde
as tropas vermelhas continuavam a ter sucessos contra o Almirante
Kolchak), assim como pela sua incapacidade de resolver a situação
militar no fronte ucraniano, onde as tropas brancas do general Anton
Denikin tinham sua base. No entanto, uma mudança de situação acabaria
por restabelecer o seu prestígio.
Stalin e Serguei Kamenev propunham que a estratégia para lidar com a
situação na Ucrânia deveria incluir um assalto à retaguarda de Denikin
na região caucasiana do
Kuban, onde havia uma concentração de aldeias de
cossacos
aliados dos Brancos. Trótski, por sua vez, alegava que tal estratégia
nada mais faria do que soldar a aliança entre as forças cossacas e os
Brancos, e que a situação deveria ser resolvida por um ataque na direção
do Leste da Ucrânia, onde a concentração de indústrias atrairia o apoio
dos operários ao Exército Vermelho; os cossacos - que lutavam em defesa
de suas terras - deixados a si mesmos, acabariam por ficar neutros. E,
efetivamente, a execução do plano de Stalin apenas reforçou o Exército
Branco, que, em setembro de 1919, tomou
Orel e avançou para o Norte, na direção de
Moscou e do centro de produção de munições de
Tula, ameaçando a própria existência do regime soviético.
[13]
Ao final, seria o plano de Trótski que acabaria sendo adotado: em
Outubro de 1919, dois ataques de flanco lançados contra o Exército
Branco o separaram da cavalaria cossaca, forçando Denikin a recuar para a
Ucrânia, de onde o Exército Branco, completamente desmoralizado, e sem
contar mais com os subsídios do governo britânico, recuaria para a
Criméia.
[14]
No entanto, os responsáveis pela defesa da Frente Sul jamais
admitiram abertamente o seu débito para Trótski, o qual, inclusive,
antes da ofensiva final, enviou ao Comitê Central do Partido uma carta
defendendo sua estratégia e eximido-se de responsabilidade pelos erros
anteriores do comando do Exército Vermelho na Ucrânia - uma reação que
Lenin classificaria numa anotação à margem da carta de Trótski como
produto de "nervosismo".
[15]
O que reabilitaria decisivamente a reputação de Trótski seria a sua
eficiente defesa de Petrogrado contra as tropas do General branco
Yudenich,
que atacaria a antiga capital também em outubro de 1919, tentando
solapar o moral do Exército Vermelho pela tomada do berço da revolução.
Opondo-se às objeções de Lenin - que a princípio pensara em abandonar
Petrogrado para concentrar-se na defesa da Frente Sul - Trótski comandou
a defesa pessoalmente, chegando a cavalgar em direção às linhas
inimigas sozinho para animar tropas em fuga. Esta vitória decisiva
elevaria o Comissário da Guerra ao auge do seu prestígio - o qual foi
imediatamente seguido pelo seu declínio.
Após a derrota de Denikin e Yudenich, o
Exército Branco estava reduzido a um remanescente entrincheirado na Crimeia, sob o comando do
barão Pyotr Nikolayevich Wrangel, remanescente este que poderia ser liquidado facilmente pelo Exército Vermelho, quando o ditador nacionalista da
Polônia,
Józef Piłsudski, resolveu aproveitar-se do vácuo de poder na
Ucrânia
- onde a autoridade dos bolcheviques encontrava dificuldade para
afirmar-se diante da atividade dos nacionalistas ucranianos e dos bandos
anarquistas comandados por
Nestor Makhno - para intentar restaurar o antigo império polonês nesta região, avançando para o leste com seu exército e tomando
Kiev em 7 de maio de
1920.
A reação nacionalista que este ataque provocou na Rússia determinou que
o contra-ataque do Exército Vermelho fosse extremamente bem sucedido,
limpando a Ucrânia e a
Bielorrússia
ocidentais de tropas polonesas. Para Trótski, a contraofensiva deveria
limitar-se a esta restauração do poder soviético nas repúblicas
não-russas da fronteira ocidental, mas Lenin viu na situação a
oportunidade de instalar um regime socialista na Polônia que servisse de
elo de ligação entre a Rússia soviética e a
Alemanha, onde as forças de Esquerda poderiam recuperar-se da repressão do levante
spartakista de 1919, e ordenou uma ofensiva na direção de
Varsóvia,
onde esperava um levantamento operário na retaguarda de Pilsudiski.
Trótski, no entanto, considerava que os poloneses, recém-independentes,
tenderiam a colocar a garantia de sua independência acima da
transformação socialista, e a derrota do Exército Vermelho nos arredores
de Varsóvia em agosto de 1920, se privou a Rússia soviética de uma
fronteira comum com a Alemanha - para grande prejuízo do movimento
comunista internacional - ao mesmo tempo aumentou o prestígio de
Trótski, que havia considerado as expectativas de Lenin e dos
bolcheviques como irreais e advertido contra o otimismo excessivo.
[16]
A instâncias de Trótski, foi firmado um tratado de paz com a Polônia, o
qual permitiu que o Exército Vermelho liquidasse o bastião Branco na
Crimeia em Novembro de 1920, encerrando a Guerra Civil.
O Pós-Guerra Civil
A autossuficiência de Trótski, mesmo após a vitória dos Vermelhos na
Guerra Civil, acabou por determinar que seu prestígio público sofresse
abalos importantes: o primeiro, quando da repressão brutal das revoltas
de Kronstadt e
de Tambov,
em que teve papel importante na adoção de uma política de repressão e
de rejeição de qualquer compromisso com os rebeldes. Segundo, quando,
após haver proposto um abandono do
comunismo de guerra e um retorno parcial ao
livre mercado, pela adoção do que viria a consistir na futura
NEP, no início de
1920, foi desautorizado por Lenin, propondo então, como uma alternativa, que "
os métodos de guerra fossem aplicados sistematicamente",
[17] mediante um combate decidido ao
desemprego
decorrente da desmobilização e visando a rápida recuperação econômica
da Rússia Soviética pela abolição total da independência, mesmo nominal,
dos
sindicatos e pela generalização do
trabalho forçado
através da formação de "exércitos do trabalho" que mobilizariam
forçosamente trabalhadores ociosos. Somando-se à desconfiança dos
veteranos bolcheviques por sua adesão tardia ao Partido, estas posições
lhe darão uma fama de
bonapartista e
ditador militar potencial, e em muito enfraquecerão sua posição diante de Stalin; Lenin, no
seu Testamento Político, falará de Trótski como "
o homem mais capaz do presente Comitê Central", mas deplorará suas tendências autoritárias (nas palavras de Lenin, "
sua tendência a abordar as questões apenas pelo lado administrativo").
Derrota diante de Stalin
Desde 1920, Lênin receia crescentemente a burocratização do Partido e do Estado. A sua morte, em
1924, gera um vazio de poder que acirra a disputa interna entre o setor burocratizado e o setor em defesa de uma maior
sovietização do regime. O primeiro, simbolizado por
Stálin,
acaba por vencer, assumindo a direção quase total do partido. Nesse
momento, Trótski não quis ou não pôde opor-se ativamente a Stalin,
mantendo-se discreto no 12º Congresso do Partido em 1923, onde acaba por
perder o poder para um triunvirato, também chamado de
Troika, constituído por Stalin,
Lev Kamenev e
Grigori Zinoviev. Trótski e seus apoiantes organizam-se na
Oposição de Esquerda, facção que nos anos seguintes luta no interior do partido contra Stalin.
Havia, no entanto, uma assimetria fundamental nesta luta faccionária:
a Oposição de Esquerda, por mais bem implantada que estivesse no
interior da militância comum do Partido, não tinha qualquer poder no
interior das instâncias decisórias de um Partido Bolchevique já
totalmente burocratizado. Trótski, pela sua entrada tardia no Partido e
por não ter assumido responsabilidade por nomeações burocráticas como
Stalin, não possuía capacidade de alavancar suas posições pelo exercício
do
clientelismo. Mas ainda, desde o seu Décimo Congresso,em
1920,
o Partido Bolchevique havia adotado - com o apoio de Trótski, diga-se
de passagem - um novo regimento administrativo que proibia a existência
de facções permanentemente organizadas no partido, o que tornava
possível a qualquer contestação à liderança do Partido ser caracterizada
como "faccionária". Resumindo, o prestígio
pessoal de Trotsky
era inteiramente desproporcional aos recursos políticos concretos que
ele poderia mobilizar no interior de um Partido à cuja vida interna ele
era estranho. Daí, em grande parte, a inação de Trotsky diante da
ascensão de Stalin; na ausência de Lenin - que até então havia sempre
abonado suas políticas em momentos decisivos - Trotsky escolheu não
desafiar o conclave bolchevique, sabendo que suas chances de vitória
eram reduzidas.
[18]
Durante a preparação pelo
Comintern de um levante revolucionário na
Alemanha em finais de
1923-
com Lenin ainda vivo mas incapacitado - Trótski já havia solicitado ao
Partido permissão para atender um convite feito pelo líder comunista
alemão
Heinrich Brandler e dirigir o levante projetado
in loco como combatente revolucionário internacional - um projeto que de certa forma antecipava a aventura boliviana de
Che Guevara.
A permissão foi, no entanto, negada, pois Stalin temia que, se Trótski
caísse prisioneiro ou morto, o embaraço que tal provocaria ao governo
soviético, e temia mais ainda a possibilidade de que ele retornasse da
Alemanha vitorioso, caso em que o aumento de seu poder e influência
seria irresistível. O levante alemão, mal preparado e executado, foi um
fracasso, e fortaleceu a tendência stalinista de abandonar a revolução
socialista internacional pelo "socialismo num só país".
No decorrer das lutas confusas que se seguiriam, Trótski buscou uma
consolação - assim como um aumento da sua influência - pela concentração
no trabalho teórico e intelectual. Trótski já havia, durante a
Revolução de 1905, formulado a
Teoria da Revolução Permanente-
a proposição de que a revolução liberal-burguesa, nas condições de um
país capitalista atrasado como a Rússia não se deteria na constituição
de uma república democrática, mas avançaria para a revolução socialista,
num processo sem solução de continuidade - contrariamente ao
entendimento evolucionista do marxismo predominante à época, segundo o
qual a revolução socialista seria um produto do esgotamento prévio das
possibilidades de desenvolvimento capitalista nacional. Após a Revolução
de 1917, passou a defender também que a revolução socialista era um
processo mundial e que a Revolução Russa necessitaria continuar a
desenrolar-se numa arena mundial, no âmbito de uma perspectiva
internacionalista que contrastava claramente com a política estalinista
do "
socialismo num só país". Defendeu a rápida industrialização da economia e o abandono da NEP (
Nova Política Econômica) de Lenin, quando Stalin e o teórico Bukharin defendiam a industrialização gradual e a manutenção daquela política.
A dissidência no interior do Partido vem a público quando Trótski
publica, em 1924, um prefácio à edição dos seus escritos de 1917,
As Lições de Outubro,
criticando a falta de estratégia revolucionária de Stalin e da Direção
do Comintern na direção do levante alemão de 1923, e compara suas
atitudes com a indecisão demonstrada por Kamenev e Zinoviev às vésperas
da Revolução de Outubro. Estas discordâncias abertas afastam
politicamente Trótski de Stalin, culminando na sua expulsão do partido a
12 de novembro de
1927, o exílio em
Alma Ata (hoje
Altana), na então
República Socialista Soviética do Cazaquistão, a
31 de janeiro de
1928, e finalmente a expulsão da União Soviética em
1929.
Ainda em julho desse ano, começa a publicar um boletim mensal da
oposição, que continuaria a ser publicado e contrabandeado para o
território soviético durante todo o seu exílio .
Ironicamente, afastado Trótski, Stalin vira-se contra Bukharin e
acaba por apropriar-se de muitos dos preceitos da política econômica
enunciados por Trótski, implementando-a, todavia, de uma forma criticada
por uma grande maioria, como exageradamente violenta e autoritária. Tal
"virada à Esquerda" de Stalin, no entanto, fez muito para privar a
Oposição de Esquerda de grande parte dos seus partidários na URSS, que
acabam por aderir a Stalin, que consideram estar realizando na prática o
programa da oposição, nomeadamente o
economista Ievguêni Preobrajenski e o antigo chefe de governo da
Ucrânia soviética e amigo pessoal de Trótski desde a época de sua estadia nos
Bálcãs, o socialista romeno de etnia búlgara
Christian Rakovski - que, juntamente com a imensa maioria dos antigos trotskistas, haveriam de perecer nas
Grandes Purgas dos
anos 1930.
Exílio e morte
Trótski e a sua filha Nina (
França).
Após a
deportação, Trótski passou pela
Turquia,
França (Julho de
1933 a Junho de
1935) e
Noruega (Junho de 1935 a Setembro de
1936), fixando-se finalmente no
México, a convite do
pintor Diego Rivera, vivendo temporariamente em casa deste e mais tarde em casa da esposa de Rivera, a pintora
Frida Kahlo.
A medida que aumenta a repressão stalinista, multiplicam-se os lutos
familiares. Além da morte dos seus quatro filhos, os genros, noras,
netos, e outros parentes próximos de Trotsky são igualmente vítimas da
repressão por sua ligação com um "
inimigo do povo"
e desaparecem nos sucessivos expurgos da década de 1930, com exceção do
único filho que Zina pôde levar consigo ao exterior, e que acabou por
reunir-se ao avô no México, após complicadas negociações com a mulher
francesa de Leon Sedov - que havia se responsabilizado pelo sobrinho até
a sua própria morte num hospital parisiense.
No seu crescente isolamento pessoal e político, Trotsky, a partir
desta altura, aumenta consideravelmente a sua produção escrita,
escrevendo importantes obras como sua
autobiografia,
Minha Vida (1930), a
História da Revolução Russa (em 2 vols., 1930 e 1932),
A Revolução Permanente (1930) e
A Revolução Traída (1936), uma crítica violenta ao Estalinismo. Apoiando-se sobre um panfleto de Rakovski,
Os Perigos profissionais do poder, Trótski considerava em
A Revolução Traída
que a União Soviética se tornara num Estado de trabalhadores
degenerado, controlado por uma burocracia não-democrática - derivada, no
entanto, da própria classe operária (em um processo descrito como
Degenerescência Burocrática)
e que teria eventualmente de ser derrubada por uma 2ª revolução
política que restaurasse o caráter democrático da revolução socialista,
ou, então, degenerar ao ponto de regressar ao capitalismo.
Túmulo de Leon Trótski em Coyoacán, bairro da cidade do México, no jardim da casa onde morou durante seus últimos anos de vida.
Trotsky rejeitou as teses
ultra-esquerdistas de certos opositores bolcheviques do estalinismo (notadamente os "Centralistas Democráticos" liderados por
Sapronov), que consideravam que o stalinismo era uma restauração do
capitalismo, algo similar à restauração da monarquia francesa pelos
Bourbons em
1815. Através desta mesma
analogia com a
Revolução Francesa, Trotsky considerou que o regime de Stalin era um Termidor soviético, no sentido de que, assim como o
9 Termidor francês havia derrubado o radicalismo pequeno-burguês de
Robespierre,
Saint-Just e dos
jacobinos, mas preservado o caráter burguês da sociedade francesa, do mesmo modo o estalinismo havia eliminado todos os elementos
internacionalistas
e de democracia proletária do regime soviético, mas não havia, de
momento, abolido o caráter socialista da economia e das relações sociais
na Rússia. Considerando a URSS estalinista, assim, como presa num
estágio de transição entre o capitalismo e o socialismo, e não
considerando que ela houvesse se convertido num
capitalismo de Estado, Trótski opôs-se, no início da
Segunda Guerra Mundial, àqueles entre seus seguidores - especialmente fortes no partido trotskista americano, o
Socialist Workers' Party (SWP), mas também figuras isoladas como o
brasileiro Mário Pedrosa
- que propunham retirar apoio à URSS em caso de ataque externo. Para
Trótski, a defesa das aquisições da Revolução de Outubro exigia o
respeito mais estrito à consigna de "defesa incondicional da União
Soviética". Muito embora opusesse-se ao
Pacto Molotov-Ribbentrop, que considerava desmoralizante para o movimento operário, orientou seus partidários para que apoiassem a
expropriação dos latifúndios e das fábricas realizadas por Stalin no leste da
Polônia e nos
Países Bálticos quando da sua incorporação forçada na URSS.
A
3 de Setembro de
1938, numa reunião com 25 delegados de 11 países, Trótski e seus seguidores fundam a
Quarta Internacional, como alternativa à
Terceira Internacional
estalinista. Trótski tinha entrado entretanto em conflito com Diego
Rivera - numa disputa que tinha tanto a ver com as pretensões políticas
de Rivera no movimento trotskista, que Trótski desfavorecia, quanto com a
breve ligação de Trótski com Frida Kahlo - e mudara-se em
1939 para uma casa própria no bairro de
Coyoacán, na
Cidade do México. A
24 de Maio de
1940
sobrevive a um ataque à sua casa por assassinos alegadamente a mando de
Stalin. Não sobreviverá, no entanto, ao segundo ataque de Stalin: a
20 de Agosto de 1940, o agente
Ramón Mercader
consegue sob disfarce entrar pacificamente na sua sala para um
encontro, e, aproveitando um momento de distracção, aplica com uma
picareta um golpe fatal no seu crânio. Ao ouvir o ruído, os
guarda-costas de Trótski precipitam-se para a sala e quase matam
Mercader, mas Trótski detém-nos, exclamando:
| “ |
Não o matem! Esse homem tem uma história para contar!. |
” |
Faleceu no dia seguinte.
 |
Pousei o casaco impermeável na mesa de
forma a poder tirar a picareta que estava no bolso. Decidi não perder a
grande oportunidade que surgiu. No momento em que Trótski começou a ler o
artigo, deu-me a minha oportunidade; tirei a picareta do casaco,
segurei-a firme na mão e, de olhos fechados, dei-lhe um golpe terrível
na cabeça. |

— Depoimento de Ramón Mercader durante seu julgamento.
|
O líder a URSS desejava ocultar fatos de seu passado, como suas ações de
agente provocador a serviço a
polícia secreta tsarista (a
Okhrana).
[19] Neste período, Trótski escrevia uma biografia não autorizada sobre Stálin e este seria um dos motivos do crime.
[19]
A casa de Trótski em Coyocán, preservada no mesmo estado em que se encontrava naquele dia, é hoje um
museu, em cujos terrenos se encontra ainda o
cenotáfio de Trótski, com a
foice e martelo talhados sobre seu nome.
Trótski nunca foi formalmente reabilitado pelo governo soviético, seja durante a "
desestalinização" de
Khrushchov, seja durante a "
Glasnost" de
Mikhail Gorbatchov,
apesar da reabilitação, durante estes dois episódios, da maioria da
velha guarda bolchevique morta durante os grandes expurgos de Stalin.
Dos descendentes de Trótski, o único que pôde preservar sua conexão com a
família seria o seu neto, o engenheiro
Esteban Volkov,
filho de Zina, que seria criado por Natalia Sedova no México e muito
faria pela preservação da memória do avô pela manutenção da sua casa de
Coyoacán como um museu privado, depois apropriado pelo governo mexicano.
Na
década de 1990,
Volkov viajaria à Rússia para encontrar-se, após sessenta anos de
separação, com uma irmã recém-localizada, doente terminal de
câncer,
com a qual teve de conversar através de um intérprete, para
explicar-lhe que a decisão de deixá-la na URSS havia sido imposta à sua
mãe por Stalin.
A morte de Trotsky na imprensa
Um dos secretários de Trotsky,
Joseph Hansen, entregou à
Imprensa um relato sobre o assassinato do líder comunista:
| “ |
Trotsky conhecia pessoalmente seu assassino, Frank Jackson (na verdade, Ramón Mercarder), há
mais de seis meses, e tinha confiança nele devido às suas relações com o
movimento trotskista na França e nos Estados Unidos. Ele nos visitava
com freqüência e em momento algum tivemos motivos para desconfiar que
ele fosse agente da GPU. |
” |
Segundo Hansen, Jackson chegou à casa de Trotsky às 5h30 da tarde do dia 20 de agosto, dizendo-lhe que havia escrito um
artigo,
sobre o qual gostaria de sua opinião. Trotsky concordou e ambos se
encaminharam para a sala de jantar, onde estava a sra. Trotsky. "
Alegando
estar com a garganta seca, Jackson pediu um copo de água. A sra.
Trotsky ofereceu-lhe chá. Ele agradeceu mas preferiu a água. Então,
Trotsky convidou-o a passarem para o seu escritório".
O primeiro indício de que algo de anormal acontecera foi o som de
gritos lancinantes e de uma luta violenta. A princípio os secretários e
guarda-costas
julgaram que havia acontecido algum acidente, mas, ao ingressarem no
escritório, encontraram Trotsky com o rosto banhado em sangue. Um dos
guarda-costas correu para socorrê-lo, enquanto o outro atracava-se com o
assassino, que empunhava um
revólver. "
Provavelmente
o assassino atacou-o por trás, utilizando uma picareta cuja ponta
penetrou-lhe o cérebro. Mas em vez de cair inconsciente, como o
assassino planejara, Trotsky agarrou-se a ele".
Enquanto jazia, sangrando, no chão, Trotsky disse a Hansen: "
Jackson baleou-me com um revólver. Acho que, dessa vez, é o fim".
Hansen tentou animá-lo, dizendo que o ferimento era superficial e que
não podia ter sido causado por um tiro, já que ninguém tinha ouvido o
estampido. "
Não, sinto aqui que desta vez eles conseguiram" - disse Trotsky, apontando para o
coração. Trotsky lutou pela vida por mais de 24 horas, vindo a falecer às 7h25 da noite de 21 de agosto.
[20]
Biografias
Trotsky encontrou, na
década de 1950, um grande biógrafo na pessoa do marxista polonês radicado na
Inglaterra Isaac Deutscher, que escreveu a monumental biografia em três volumes:
O Profeta Armado - Trotsky 1879-1921,
O Profeta Desarmado - Trotsky 1921-1929 e
O Profeta Banido - Trotsky 1929-1940,
a qual encontra-se atualmente disponível no original em publicação da
Verso Editions, e em português numa tradução da Editora Civilização
Brasileira, republicada recentemente pela Editora Record.
Trata-se de uma biografia
polêmica,
onde Deutscher questiona frequentemente as posições de Trotsky, o que a
torna mais dinâmica que outra biografia também monumental e mais
documentada e posterior do trotskista francês
Pierre Broué,
Trotsky (Paris, Fayard, 1988) não possui, por este defender diretamente as ideias de Trotsky.
Ver também
Notas
Referências
- ↑ O Testamento de Leon Trotsky 1940
- ↑ a b c d e f Leon Trotsky (em português). UOL -Educação. Página visitada em 12 de novembro de 2012.
- ↑ Operações especiais: memórias de uma testemunha indesejada/ Pavel Sudoplatov, Anatoli Sudoplatov, Mem Martins : Europa-América, D.L. 1994 ISBN 972-1-03771-0
- ↑ North, David (2010). In Defense of Leon Trotsky. Mehring Books. p. 145
- ↑ cf. Leon Trotsky, My Life, Penguin, 1988, pg.417
- ↑ Robert Service, A History of Twentieth-Century Russia, Penguin,1997, pgs.105/106
- ↑ Leon Trotsky, My Life,op.cit., Cap.33
- ↑ Leon Trotsky, My Life,ibid., pg.470
- ↑ Cf. Isaac Deutscher,Stalin, Penguin Books, 1982, pg.210
- ↑ Cf. Deutscher, ibid., pg. 210
- ↑ Trotsky, My Life, op.cit., pg.471
- ↑ "Ciente
do caráter rigoroso das ordens do Camarada Trótski, estou tão
absolutamente convencido da sua correção, expediência e necessidade para
o triunfo da causa, que as endosso sem quaisquer
reservas-ass.V.ULYANOV/LENIN"-cf.Leon Trotsky, My Life, op.cit., pg.487.
- ↑ Trotsky, My Life, op.cit., pgs. 471/473.
- ↑ Cf. Richard Pipes, Russia under the Bolshevik Regime, Nova Iorque, Vintage, 1995, pgs.127/129
- ↑ Cf. Richard Pipes, ibid., pg. 126
- ↑ Trotsky, My Life, op.cit., pg.475
- ↑ Leon Trotsky, My Life, op.cit., pg.482
- ↑ Cf., e.g., Orlando Figes, A People's Tragedy, Nova Iorque, Viking, 1997, pg.802
- ↑ a b História Viva.
Stalin: Uma lenda fabricada sob medida. Documentos revelam que até
1917, por trás da fachada de revolucionário exemplar, o líder soviético
operou como agente da polícia secreta do czar. Acessado em 12 de Outubro de 2012.
- ↑ New York Times, edição de 22/08/1940.
Bibliografia
- Dmitri Volkogonov. “Trotsky — The Eternal Revolucionary”. Free Press/Simon & Schuster, 524 páginas, 1996
Ligações externas
- espanhol
- inglês